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Aposentados fazem pressão por aumento

19 de junho de 2008


Carla Seixas

cseixas@jc.com.br

Os aposentados e pensionistas fizeram ontem no Congresso mais uma movimentação para pressionar o governo a negociar a questão do reajuste salarial para os segurados que recebem acima de um salário mínimo. Reunidos na Câmara Federal com algumas lideranças partidárias, e sob a coordenação da Confederação Brasileira dos Aposentados e Pensionistas (Cobap), cerca de 300 aposentados conseguiram convencer as lideranças, em sua maioria da oposição, a apresentarem junto à Mesa Diretora da Câmara o pedido de caráter de urgência para o projeto de lei 01/2007 e acelerar sua chegada ao plenário. O projeto teve uma emenda estendendo o percentual de aumento concedido ao salário mínimo aos que ganham da Previdência Social acima desse valor. Pelos dados atuais, das 25,5 milhões de aposentadorias pagas, 18 milhões estão atreladas ao mínimo e outras 7,5 milhões estão fora da faixa.

A meta é conseguir colocar para votação em plenário a proposta já na próxima semana e ainda lançar sobre o governo mais pressão para que haja negociação. O presidente do Sindicato Nacional dos Aposentados e Pensionistas da Força Sindical, João Batista Inocentini, não está muito otimista com relação a aprovação da proposta. “Mesmo que seja aprovado, o governo pode decidir vetar. Tem que haver negociação”, comenta o representante dos aposentados. Já o deputado federal Cléber Verde (PRB), presidente da Frente Parlamentar em Favor dos Aposentados e Pensionistas, diz que a mobilização de ontem surtiu efeito e deve colocar o governo para negociar. “Várias lideranças se mostraram favoráveis ao projeto. O governo corre o risco da proposta seguir para plenário da forma como foi aprovada na Comissão Especial do Salário Mínimo, estendendo realmente o aumento, ao contrário de ser escalonado”, diz o parlamentar. Ontem, a Mesa Diretora reconheceu como válida a votação, na Comissão Especial, da emenda que estende o aumento do mínimo para os aposentados. A apreciação vinha sendo questionada por governistas por ter ocorrido no momento de trabalho do plenário. O grande entrave que os aposentados tentam resolver é o descompasso que existe hoje entre os reajustes dos benefícios vinculados ao mínimo e os que estão acima da faixa. Na prática, enquanto o mínimo tem recebido carga do governo federal – este ano o aumento foi de 9,2% – as remunerações acima do piso tiveram a reposição da inflação (5%).

 

Fonte: Jornal do Commercio

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