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Antecipar IR está mais caro

10 de março de 2014

SÃO PAULO – Os contribuintes que recorrerem a linhas de crédito que viabilizam a antecipação do imposto de renda (IR) este ano vão pagar mais caro pelo empréstimo. Embora a elevada competitividade nos bancos contenha uma elevação mais acentuada das taxas, o maior patamar da Selic, que passou de 7,25% em março do ano passado para 10,75% na última reunião, pressionou para cima os juros cobrados neste tipo de financiamento tanto nos bancos privados como nos públicos.

Apesar disso, as instituições esperam desembolsar mais este ano amparadas no custo do empréstimo para antecipação do IR mais atrativo para o tomador quando comparado a outras linhas, como crédito pessoal e cheque especial. Para os bancos, o interesse em emprestar também é maior devido ao risco baixo da operação. A inadimplência é pequena, similar à do crédito consignado (com desconto em folha), uma vez que o desconto é feito na conta do cliente no ato do recebimento da restituição. Se o cliente cair na "malha fina" do IR, o desconto da antecipação geralmente é combinado.

O Bradesco anunciou, na semana passada, a liberação do crédito para antecipação de IR disponível desde a quarta-feira de cinzas. Este ano, o banco espera crescer os desembolsos em um ritmo maior do de 2013, quando o montante liberado aumentou quase 15%, conforme José Ramos Rocha Neto, diretor do Departamento de empréstimos e financiamentos do banco. As taxas iniciam em 2,27% ao mês, acima da mínima de 1,89% no ano passado. Os correntistas podem antecipar até 100% da restituição no limite de até R$ 20 mil.

"Tivemos um aumento geral das taxas no mercado devido ao repasse do custo do dinheiro que subiu com a Selic. Mas a concorrência vem fazendo com que mesmo com que os juros maiores, os preços finais para bons riscos permaneçam estáveis ou com pequenas alterações", avalia Rocha Neto.

Até mesmo no Banco do Brasil, que comandou ao lado da Caixa Econômica Federal a redução dos juros a pedido do governo federal numa postura anticíclica para impulsionar a economia, elevou os juros cobrados. A instituição reabriu na semana passada a linha para antecipação de IR com taxas a partir de 1,69% ao mês, também superior ao mínimo em 2013, de 1,59%. O limite é de R$ 20 mil para até 100% do valor do crédito a ser restituído.

Para este ano, o BB espera elevar em 25% os empréstimos para antecipação de IR, alcançando R$ 550 milhões em volume. Em 2013, o banco fez 233 mil operações num desembolso total de aproximadamente de R$ 440 milhões. "Nossa estimativa para este ano é conservadora. Esperamos manter o ritmo de crescimento visto nos últimos anos em meio ao aumento de renda da população e o maior número de declarantes", explica o diretor de empréstimos e financiamentos do BB, Edmar Casalatina.

Fonte: Jornal do Commercio

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