BRASÍLIA – O diretor-geral da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), Romeu Rufino, avaliou que o aumento da segurança do sistema de transmissão de eletricidade, capacitando-o para suportar quedas simultâneas de linhas de transmissão tem um custo, que pode impactar as tarifas. Rufino falou ontem sobre o sistema elétrico brasileiro a propósito das apurações sobre as causas do último grande apagão no Nordeste, que completou ontem quinze dias.
"Contingenciar o sistema para uma ocorrência dupla custa mais e essa segurança não pode ser a qualquer custo. É preciso dosar a segurança com a modicidade tarifária", afirmou, em audiência pública na Comissão de Minas e Energia da Câmara dos Deputados.
O apagão ocorrido na Região Nordeste no fim de agosto ocorreu porque duas linhas foram atingidas por queimadas, enquanto o sistema nordestino suporta a queda de apenas uma linha.
Rufino lembrou que a Aneel abriu um processo de fiscalização sobre as empresas que administram as duas linhas afetadas – Taesa e Ienne – e explicou que algumas geradoras também estão sendo fiscalizadas para verificar se o processo de recomposição do fornecimento de energia foi feito da maneira adequada.
"A agência vai apurar os fatos de maneira rigorosa. O processo dá tempo para que os agentes se manifestem, e quem tiver culpa será responsabilizado", garantiu. O diretor-geral destacou ainda que a Aneel determinou que as duas empresas limpassem imediatamente a vegetação das faixas das linhas de transmissão e enviou de maneira preventiva um alerta para todas as outras transmissoras. "Estamos em um período crítico de queimadas que podem provocar ocorrências se não houver cuidado dos agentes", concluiu.
O diretor-geral do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), Hermes Chipp, afirmou que o relatório final sobre o apagão ainda não foi concluído, apesar de já terem sido identificadas a origem, as causas e as consequências do problema
"Ainda faltam algumas análises mais específicas para a conclusão do relatório. Apesar de ser uma coisa desagradável, você pode aprender com esses eventos", disse Chipp também na audiência pública.
Ele destacou que o Brasil está em primeiro lugar no mundo na recomposição de fornecimento de energia em apagões de grandes proporções. No caso do apagão no Nordeste, o retorno ocorreu em poucas horas, enquanto em uma ocorrência recente no Canadá teria havido mais de 24 horas de demora.
Fonte: Jornal do Commercio