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Analista vê força na articulação política

4 de agosto de 2017

Ao analisar a vitória de Michel Temer (PMDB) na sessão de quarta-feira (2), o professor da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e cientista político Adriano Oliveira enfatizou ontem, em entrevista à Rádio Jornal, "o poder de articulação política" do peemedebista, que já presidiu a Câmara dos Deputados por três vezes e garantiu a maioria dos votos pelo arquivamento da denúncia contra ele por corrupção passiva.

Adriano destacou que mesmo com as pesquisas de opinião apontando grande reprovação do seu governo, Temer tem o apoio do parlamento, que seria o suficiente para mantê-lo no poder até o final de 2018 e aprovar as suas agendas. "Para que serve o não apoio da opinião pública se essa opinião pública não está nas ruas? Importante foram os votos que ele conquistou ontem (anteontem): foram os votos que ele irá conquistar certamente para uma frágil reforma da Previdência, mas ele vai conquistar".

Desde a divulgação do conteúdo da delação premiada do grupo JBS, Temer se reuniu com mais de 200 deputados e autorizou liberação de emendas parlamentares, além de ter editado a Medida Provisória conhecida como o Refis do Funrural (Fundo de Assistência ao Trabalhador Rural), uma demanda da bancada ruralista.

Segundo o cientista político, os mecanismos da política requererem a distribuição de emendas e outros benefícios a aliados e futuros aliados em troca de apoio, o que não seria diferente com o peemedebista. "Os atos de Temer não significam nenhum tipo de ineditismo. Qualquer presidente que precise formar uma coalizão partidária e dialogar com o parlamento precisa liberar emendas parlamentares – as quais, devemos frisar, são impositivas – precisam distribuir cargos nos Estados e ofertar benefícios, e ainda atender também os lobbys, em particular os do setor produtivo. Isso é ilícito? De modo algum. É um simples fato do dia a dia do exercício do poder".

"O que Temer fez era o que Dilma (Rousseff) deveria ter feito, mas ela não fez pela sua incapacidade política de lidar com o Parlamento", completou.

Fonte: Fonte: Jornal do Commercio

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