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Aluguel pressiona inflação
23 de março de 2014Apesar de o mercado imobiliário dar os primeiros sinais de arrefecimento na escalada de preços experimentada nos últimos anos, principalmente no Recife, um dos itens do custo de vida que vem pesando cada vez mais no orçamento das famílias é o aluguel de imóvel residencial. De acordo com os números do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que mede a inflação oficial do País, somente nos dois primeiros meses de 2014 o item despesas com aluguel teve uma variação positiva de 4,37% no orçamento das famílias do Recife, contra 2,08% da média brasileira. Na cesta do IPCA, o item habitação tem o terceiro maior peso nas despesas familiares, perdendo apenas para alimentação e transporte. Nos últimos 12 meses, os aluguéis ficaram 14,21% mais caros na capital pernambucana e, em dois anos, 28,5%. Neste período de 24 meses, o IPCA para a capital do Recife variou em 13,92%, ou seja, praticamente o mesmo percentual que o aluguel levou apenas um ano para percorrer.
A situação do mercado de aluguel ficou tão fora da média que até mesmo quem coloca o seu imóvel para alugar acredita que os preços estão muito inflacionados. "Eu acho altíssimo o valor que estou pedindo para alugar meu imóvel. Eu mesmo não pagaria esse valor para morar no Alfredo Bandeira", diz o administrador de empresas, Diego Gondim, que pede R$ 1.200 de mensalidade num apartamento de dois quartos no famoso edifício da Rua da Aurora. Ele lembra que há menos de três anos alugava o imóvel por R$ 800, mas que chegou ao atual valor depois de fazer pesquisa no edifício e em outros endereços de Santo Amaro. "Para um prédio que tem mais de 30 anos, não acredito que seja um preço justo", diz.
Apesar de o mercado recifense ter sido pressionado pelo crescimento da economia local com novos empreendimentos econômicos de vulto, o fenômeno é nacional. Para o professor de finanças da Fundação Getúlio Vargas (FGV), boa parte desse comportamento de preços tem a ver com a Copa. Para ele, depois de passado o evento, os preços tenderão a despencar. "É a bolha imobiliária que vai estourar depois da Copa", arrisca-se a dizer. Apesar da afirmação, o Banco Central divulgou na semana que passou um relatório sobre a estabilidade do sistema financeiro, mostrando que os bancos brasileiros são resistentes a uma queda brusca dos preços dos imóveis, caso ocorra a bolha.
Fonte: Jornal do Commercio
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