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Afrouxe a corda do pescoço

18 de fevereiro de 2014

Compradores compulsivos, endividados em excesso e inadimplentes estão se tornando categorias cada vez mais comuns entre os consumidores. Apesar disso, quem tenta sair do vermelho pode se sentir solitário na hora de resolver os problemas trazidos pelas dívidas: enquanto o estímulo ao crédito e às compras vêm do governo e das empresas, a ajuda a quem precisa sair do vermelho é mais escassa. Mas especialistas garantem que, após assumir que precisa de ajuda, é possível driblar essas dificuldades, sair das armadilhas do consumo e passar a conviver bem com o dinheiro que ganha.

Segundo dados da Fecomércio-PE, a inadimplência em Pernambuco – pessoas com débitos atrasados há mais de 90 dias – era de 23% em 2012 e chegou a 31,1% este ano. Consultor da Fecomércio-PE, Osmil Galindo avalia que esse número ainda não é alarmante, mas está bem próximo de ser: um índice de 40% a 50% é considerado grave. "Esse processo de endividamento em excesso (acima de 30% da renda, onde estão 46% dos pernambucanos) afeta a produtividade das pessoas, afeta o resultado delas nas empresas onde trabalham e a família", diz o economista. Ele pondera que a falta educação financeira é uma falha da nossa sociedade e que o poder público deveria encarar isso com mais seriedade.

Soma-se ao despreparo para lidar com dinheiro a imersão do consumidor em mensagens que incitam a compra – especialmente conectando esse ato ao bem-estar, ao status e autoestima. Não é à toa que uma equipe ideal de apoio a quem quer organizar as contas inclui psicólogos. "As bases dessas dificuldades estão principalmente na falta do autocontrole do consumo. As pessoas não controlam o desejo e ficam nessa busca por compensações através da compra, como um alívio para os sentimentos negativos", pontua a especilalista em neurociência do consumidor Remédios Antunes. "Em geral, essas pessoas estão muito fragilizadas, envergonhadas, entendendo a situação como de fracasso, e ela não pode se impor esse tipo de barreira. Por isso, primeiro se pergunta qual relação dela com o dinheiro. Temos que perguntar: por que você está usando o dinheiro como o sentido da sua vida? O primeiro passo do tratamento é corrigir essa distorção".

Entre as principais orientações de Remédios e dos economistas Osmil Galindo e Amanda Aires, destaca-se uma pergunta que pode demarcar uma nova postura de quem está devendo: "Eu realmente preciso disso?". Eles ressaltam que os primeiros passos rumo às contas "azuis" podem ser dolorosos, mas são suportáveis com a perspectiva de melhora em um futuro breve. Para isso, orientam foco na organização das receitas e das despesas, na conscientização da relação que se tem com o dinheiro, e na realização de sonhos – que podem ser metas grandes ou pequenas, para si mesmo ou para a família (veja jogo ao lado). "A maior dificuldade é ter consciência e aceitar que inevitavelmente vai baixar o padrão de vida", comenta Amanda Aires, "isso não quer dizer que você vai cortar todos os seus gastos, mas é preciso cortar alguns e, se possível, aumentar a receita. É preciso entender que é um sacrifício temporário".

Fonte: Jornal do Commercio

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