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A maior chaga de uma crise

1 de outubro de 2016

A taxa de desemprego no País chegou a 11,8% no trimestre encerrado em agosto, informou ontem o IBGE. Pela primeira vez, o número de desempregados no Brasil atingiu a marca de 12 milhões de pessoas. Trata¬se de um reflexo direto da crise econômica que afundou o Brasil na recessão. A foto acima, do último dia 24 de agosto, é um retrato do dilema. Milhares de trabalhadores apresentam seus currículos no Cabo de Santo Agostinho durante visita do ministro do Trabalho, Ronaldo Nogueira.

Este foi o pior resultado da série histórica da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad Contínua), iniciada em 2012, superando em 0,6 ponto percentual, ou 583 mil pessoas, a marca do trimestre encerrado em maio.

A taxa veio levemente acima do centro de expectativa de analistas consultados pela agência internacional Bloomberg, que estimavam desemprego de 11,7%.

"O cenário continua bem difícil, no sentido em que a pesquisa continua apresentando recordes", comentou o coordenador de trabalho e rendimento do IBGE, Cimar Azeredo.

Ele frisou que a pesquisa compreende dois meses do segundo semestre, quando a economia tende a melhorar. "O emprego já deveria estar apresentando sinais de melhora", afirmou. Na comparação com o mesmo período de 2015, o crescimento na população desocupada no trimestre encerrado em agosto foi de 36,6%, ou 3,2 milhões de pessoas.

Azeredo ressaltou que, pela primeira vez desde o início da crise, houve queda significativa no número de trabalhadores por conta própria, que vinha subindo nos últimos trimestres, como sinal de alternativa ao desemprego.

No trimestre terminado em agosto, houve queda de 3,2% nesta categoria. Isso significa que 739 mil pessoas deixaram de trabalhar por conta própria no período. Na comparação com o mesmo período do ano anterior, o número ficou estável. A população ocupada foi de 90,1 milhões de pessoas no trimestre encerrado em agosto, voltando ao patamar de 2013. O número representa uma queda de 0,8% (ou 712 mil pessoas) com relação ao trimestre anterior.

Na comparação com o mesmo trimestre de 2015, a queda foi de 2,2%, ou 2 milhões de pessoas. O número de empregados com carteira assinada caiu 3,8% na comparação com o mesmo período de 2015, mas ficou estável em relação ao trimestre anterior, em 34,2 milhões de pessoas.

De acordo com o IBGE, não houve variação no rendimento médio do trabalhador, que foi de R$ 2.011 no trimestre encerrado em agosto. Na comparação com o trimestre anterior, a construção foi o setor que apresentou maior redução no contingente de ocupados: 3,3%, ou 249 mil pessoas.

Fonte: Fonte: Jornal do Commercio

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