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A 2ª pior recessão da história

1 de setembro de 2016

No dia em que o Senado deu a palavra final sobre o processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff, o IBGE divulgou os últimos dados da economia sob seu comando, deixando clara a principal missão do novo presidente, Michel Temer, que tomou posse ontem: tirar o País do buraco. O Produto Interno Bruto (PIB, conjunto de bens e serviços produzidos no país) encolheu 0,6% no segundo trimestre, na comparação com os três primeiros meses do ano. Este é o sexto resultado trimestral seguido de queda na atividade econômica. Em relação ao segundo trimestre de 2015, a perda foi mais intensa, de 3,8% ¬ a nona seguida. Já o resultado acumulado em 12 meses registrou variação negativa de 4,9% ¬ maior da série histórica, iniciada em 1996. No primeiro trimestre, a perda tinha sido de 4,7%. No ano, a economia recua 4,6%. Em valores correntes, o PIB atingiu o total de R$ 1,53 trilhão. Algumas análises apontam que o resultado divulgado ontem comprova que o País vive a segunda pior recessão da história.

A severidade de uma recessão é normalmente medida por dois critérios: sua duração em trimestres e o tamanho da queda acumulada da produção econômica. O atual ciclo recessivo brasileiro foi iniciado no segundo trimestre de 2014 e dura nove trimestres, empatando com a recessão que se estendeu entre janeiro e março de 1981 e o mesmo período de 1983, embora perca ainda para o ciclo de 11 trimestres verificado entre o fim de 1989 e o início de 1992. Já a queda acumulada da atividade soma 7,9%, contra 8,5% da mais profunda recessão, que foi a do início da década de 80.

A atual recessão ¬ a nona vivida pelo País desde 1980 ¬ tem uma peculiaridade em relação aos outros ciclos. É a primeira desde que há dados trimestrais disponíveis em que o PIB cai por seis trimestres consecutivos. Até então, a pior sequência de contrações eram quatro seguidos. Embora recessões sejam períodos de queda contínua e generalizada do nível da atividade econômica, isso não implica contração ininterrupta do PIB.

A produção total de bens e serviços não é a única medida importante da atividade econômica. Oscilações no nível do emprego e da renda também são indicadores relevantes para determinar se a economia vive um ciclo de expansão ou retração. Portanto, a produção total de bens e serviços de um país pode crescer por um breve período e voltar a recuar, mantendo a economia em um ciclo recessivo. O contrário também é válido.

Isso significa que, embora muito citado, o conceito de dois trimestres consecutivos de queda da produção como definição de recessão, geralmente, não é levado em conta pelos institutos independentes responsáveis pela chamada datação de ciclos econômicos dos países.

QUANDO COMEÇOU
A atual recessão brasileira, por exemplo, começou no segundo trimestre de 2014, quando o PIB recuou 1,2% em relação aos três meses imediatamente anteriores. Os dois trimestres seguintes, no entanto, foram marcados por uma estagnação e uma leve expansão de 0,2%, respectivamente. Depois, o PIB voltou a recuar.

"Foi muito difícil datar o início dessa recessão. O PIB recuou, depois se estabilizou. A produção perdeu fôlego, mas o desemprego permaneceu baixo por muito tempo", diz Paulo Picchetti, um dos membros do Comitê de Datação de Ciclos Econômicos (Codace), da FGV. Com o conjunto de dados divulgados até agora, a recessão atual pode estar caminhando para se tornar a pior da história do Brasil. Mas o cenário é marcado por muitas incertezas, o que dificulta essa projeção.

Segundo o economista João Victor Issler, o comportamento da Bolsa de Valores é um forte indicador do que ocorrerá com a atividade econômica. O investimento em renda variável indica o aumento do nível de dividendos que serão pagos no futuro. "Esse movimento no Brasil sempre antecede o crescimento da produtividade e a Bolsa já sobe há quase sete meses", diz ele que é membro do Codade e do Centro FGV de Crescimento e Desenvolvimento. Leonardo Fonseca, economista do Credit Suisse, menciona indicadores como a produção da indústria que também vêm recuperando terreno e apontam para uma possível inflexão do ciclo econômico. O banco revisou recentemente sua projeção de variação do PIB para este ano de ¬3,5% para ¬3%.

"A continuação desses sinais incipientes de melhora da economia, no entanto, dependem principalmente da aprovação das reformas para reequilibrar as contas públicas", ressalta Fonseca. "Toda a questão do crescimento está condicionada à aprovação de medidas como o teto proposto pelo governo para limitar a expansão dos gastos públicos", diz. Ainda que o período econômico atual não entre para a história como a pior recessão da história, a retomada que pode se avizinhar dificilmente será rápida como as registradas anteriormente no País.

Fonte: Fonte: Jornal do Commercio

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