Notícias da Imprensa
Servidores federais pedem reajuste de 9% nos salários já este ano; orçamento não prevê aumento
11 de janeiro de 2024Insatisfeitos com a decisão do governo Lula de não conceder reajuste salarial para a categoria em 2024, por conta do cenário fiscal “restritivo”, os servidores públicos federais apresentam nesta quarta-feira, 10, uma contraproposta ao Executivo, pedindo aumento já em maio deste ano. O orçamento federal foi aprovado sem prever correção salarial para esses servidores este ano, já que, segundo a última proposta do Ministério da Gestão, o reajuste, de 9%, só viria em 2025 e 2026, dividido em duas parcelas (4,5% em cada ano).
No ofício protocolado nesta manhã na pasta comandada por Esther Dweck, a categoria mostra ainda que, além de antecipar o aumento, os servidores federais querem recomposições salariais até o fim do mandato de Luiz Inácio Lula da Silva muito mais significativas que as previstas nos planos do governo. A proposta é que os vencimentos tenham alta de 9% só neste ano, 7,5% em 2025 e 7,5% em 2026, todas aplicadas a partir de maio.
“Considerando que os Poderes Legislativo e Judiciário concederam aos respectivos servidores reajuste de 19,03%, com implementação em três parcelas iguais de 6%, e que a segunda será paga em fevereiro de 2024 e a terceira em fevereiro de 2025, e, ainda, que a média salarial do Poder Executivo Federal é bastante aquém daquela praticada pelos demais Poderes, propomos recomposição salarial em três parcelas, a primeira de 9%, a segunda de 7,5% e a terceira de 7,5%, a serem implementadas, respectivamente, nos meses de maio de 2024, 2025 e 2026″, diz o documento assinado pelo presidente do Fórum Nacional Permanente de Carreiras Típicas de Estado (Fonacate), Rudinei Marques, e pelo vice-presidente da entidade, Fábio Faiad.
Quando enviou o projeto de lei orçamentária deste ano ao Congresso, em agosto de 2023, o Executivo ponderou que, embora o pleito de correção salarial de servidores públicos para agora fosse “legítimo”, a medida se revelaria “imprudente” tendo em vista o cenário fiscal “restritivo” de 2024 – justamente quando a equipe econômica faz um esforço para fechar o ano com um déficit zero. O Executivo estimou que um reajuste linear de 1% significaria um crescimento na folha de pagamento no valor de R$ R$ 3,46 bilhões.
No mês seguinte, contudo, a ministra da Gestão chegou a afirmar que parte dos recursos que eventualmente sejam liberados em maio deste ano para gastos adicionais – num cenário em que a receita cresça mais que o previsto – poderia ser usada para reajustar o salário do funcionalismo federal. Ao Estadão/Broadcast, Dweck rejeitou que a medida poderia piorar o quadro fiscal do governo. “Tem previsto no arcabouço fiscal R$ 15 bilhões que podem entrar (de despesas em 2024) se estiver cumprindo a meta, se tiver receita suficiente. O que a gente tratou internamente no governo é que, se existir esse valor, parte dele, não todo, será destinado aos servidores”, disse à época.
A Fazenda, contudo, tem sido desafiada a comprovar que terá receita suficiente para cumprir a meta, enquanto é questionada por apresentar medidas que aumentam a arrecadação sem propostas para corte de despesas.
A proposta final do Ministério da Gestão, sem correção salarial para este ano, foi apresentada às entidades sindicais que compõem a Mesa Nacional de Negociação Permanente em 22 de dezembro. Nela, o destaque foi direcionado ao reajuste de cerca de 51% voltado aos benefícios dos servidores (auxílio alimentação, por exemplo), a partir de maio deste ano. O dado foi ressaltado pelo Executivo diante do desgaste com os funcionários após a decisão de manter a correção salarial em 0% neste ano.
Embora afirme reconhecer o “esforço” do governo federal em retirar a trava da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) e corrigir os benefícios em porcentual superior à inflação acumulada, o Fonacate fez um pedido adicional sobre o tema. A reivindicação é de que seja consignado em Termo de Acordo o compromisso de equiparação desses benefícios em relação aos valores praticados nos Poderes Legislativo e Judiciário até ao final de 2026. A categoria também cobra por outros ajustes, por exemplo, incluir como ponto prioritário a regulamentação da contribuição assistencial no âmbito do serviço público.
Reajuste em 2023
Os servidores já tiveram um reajuste nos salários e auxílios no ano passado, após um período em que não houve correção, durante a gestão de Jair Bolsonaro. O aumento foi estabelecido via medida provisória, que concedeu correção linear de 9% para todos os servidores federais civis do Poder Executivo, autarquias e fundações, incluindo aposentados e pensionistas com direito à paridade, com efeitos sobre a folha de maio, que é efetivamente paga em junho. Também houve reajuste de 43% do auxílio-alimentação. Só o impacto da correção salarial traz um efeito anualizado de R$ 15,5 bilhões a partir deste ano, de acordo com a mensagem presidencial quando do envio do Orçamento 2024.
Para 2024, a proposta de Orçamento do governo estimou o gasto com pessoal em R$ 407,1 bilhões. Desse montante, havia a previsão de uso de R$ 2,2 bilhões para reajustes remuneratórios, concessões de vantagens e alteração de carreiras, além de R$ 3,8 bilhões para provimento, admissão ou contratação de 47,2 mil servidores para todos os Poderes. Essas despesas representam impacto anualizado de R$ 7,5 bilhões aos cofres públicos.
Após os quatro anos sem reajuste, uma das promessas de Lula era pela retomada da mesa permanente de negociações com os servidores, o que de fato ocorreu, incluindo a realização de encontros por grupos temáticos, no âmbito do Ministério da Gestão. Ainda assim, algumas categorias do funcionalismo reclamam da falta de avanço nas discussões e de retorno para pautas que não incluem reajustes salariais. Por isso, os servidores também reivindicam a ampliação da capacidade operacional da Gestão para dar mais celeridade à instalação das mesas específicas já requeridas e à solução de demandas já apresentadas.
Mais Notícias da Imprensa
Após Raquel afirmar que só STF pode derrubar lei, Sindifisco aponta contradição sobre teto dos servidores
Uma declaração da governadora Raquel Lyra (PSD) durante o debate da TV Guararapes, na segunda-feira (21), continua repercutindo entre os […]
Sindifisco questiona remuneração de Raquel Lyra e aponta possível conflito com Constituição
O Sindicato do Grupo Ocupacional Administração Tributária do Estado de Pernambuco (Sindifisco-PE) divulgou uma manifestação em que questiona a opção […]
Alepe detalha como vai funcionar a tramitação de projeto que estipula receita de R$ 57,4 bilhões para Pernambuco
A Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe) detalhou como será o rito de tramitação da Casa com a Lei de Diretrizes […]
Sindifisco deflagra greve geral a partir de segunda (27) em pressão por articulação com Governo de Pernambuco
Os auditores fiscais do Tesouro Estadual e os julgadores administrativo-tributários de Pernambuco aprovaram a deflagração de uma greve geral por […]