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‘É preciso comemorar a primeira reforma tributária num regime democrático’, diz Lula

20 de dezembro de 2023

Na abertura da última reunião ministerial do ano, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse que é preciso “enaltecer” os projetos que o governo conseguiu aprovar no Congresso, em especial, a reforma tributária. Ele elogiou a atuação de sua equipe de articulação política, e do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, no diálogo com o Parlamento.

“É preciso comemorar a primeira reforma tributária num regime democrático”, disse Lula, nessa quarta-feira (20). O presidente ressalvou que esse feito foi possível apenas “colocando em prática a arte da negociação”.

Sem entrar em detalhes, Lula rechaçou as notícias de que teria havido toma-lá-dá-cá na articulação com o Congresso para aprovar as medidas do pacote econômico que visam ao aumento da arrecadação, bem como a reforma tributária.

Nos bastidores, além da ampliação da liberação de emendas, o grupo do presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), passou a comandar a presidência da Caixa Econômica Federal, e logo será contemplado com as vice-presidências do banco.

Ao longo do ano, partidos do Centrão, como PP (de Lira) e Republicanos, assumiram ministérios, em troca da adesão à base aliada. O Republicanos passou a controlar o Ministério de Portos e Aeroportos, e o PP, a pasta do Esporte.

Lula criticou notícias de que a negociação com o Congresso teria envolvido questões de “menor nível”, sem explicitar de que se tratava. E voltou a afirmar que seu governo não conversa com o “Centrão”, mas, sim, com partidos políticos.

Economia sem “dar cavalo de pau” e ‘mágica’
O presidente ressaltou que ainda será necessário acompanhar os frutos que se espera da reforma tributária. Afirmou que não é possível fazer mágica na economia, “nem dar cavalo de pau”, mas que a regra em seu governo será a capacidade de “conversação”.

Em crítica velada ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), sem citar o nome dele, Lula disse que não vai agir como o governante que trocou “a mesa de diálogo por uma metralhadora ou um fuzil”.

O presidente assegurou que seu governo não vai ‘fazer mágica’ na política econômica. Ele disse que seu governo, neste primeiro ano de mandato, tem conseguido passar imagem de estabilidade, credibilidade e previsibilidade.

Segundo o presidente, isso é possível porque estão “colhendo hoje um pouco do que havíamos plantado” desde o começo do ano. “É

como uma árvore que está plantada, que nós temos que colocar água, colocar fertilizante, continuar conversando para aperfeiçoar”, seguiu o presidente.

Para Lula, a maneira como se deu o início do seu governo serve “para que a gente dê ao povo brasileiro e ao mundo inteiro, que quer investir no Brasil, a certeza de que este país está tratando com muita seriedade a questão economia, que a gente não pensa em nenhum momento em fazer mágica, querer dar um cavalo de pau num país do tamanho do Brasil”.

2024 “com o mesmo jeito de governar’
O presidente afirmou ainda que seguirá com o governo, em 2024, “com o mesmo jeito de governar”, ao “estabelecer como regra a capacidade de conversação”, de diálogo.

“Não será como o governante que acha que pode trocar a mesa de diálogo por uma metralhadora ou um fuzil ou um canhão. Quando se chega nesse nível de tomada de decisão, aí, a ignorância venceu a inteligência”, afirmou ele, no Palácio do Planalto.

Em seu discurso, transmitido pela internet e pelo canais oficiais, Lula defendeu que a “democracia pressupõe tolerância, convivência democrática na diversidade”.

Fonte: Valor econômico

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