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Assessor econômico do PDT defende a reforma tributária e diz que Teto de Gastos não pode vigorar como está hoje
28 de julho de 2022O assessor de economia do Partido Democrático Trabalhista (PDT), Nelson Marconi, disse hoje que uma reforma tributária justa é essencial para o desenvolvimento do país e impulsionará o Plano Nacional de Desenvolvimento proposto pelo partido. Marconi participou nesta quarta (27/7) do projeto “Diálogos com Presidenciáveis 2022”, promovido por Anfip, Fenafisco e Sindifisco Nacional, que propõe o debate sobre a reforma tributária progressiva e está recebendo os assessores econômicos das campanhas e também os candidatos à presidência da República.
O economista defendeu alterações nas regras do teto de gastos do governo federal para a execução das políticas sociais e de infraestrutura. “Se a gente quer o desenvolvimento do País, onde a população cresce todo ano e a desigualdade social é visível, precisamos de mais gastos sociais e infraestrutura. É impossível aumentar essas despesas com o teto de gastos que está aí”, disse. Marconi destacou ainda que é necessária a reorganização do orçamento e o controle dos gastos correntes do governo de forma mais efetiva.
Além da tributação de lucros e dividendos, ele defendeu o aumento da alíquota do imposto sobre herança, a criação de imposto sobre a riqueza e o redesenho do imposto sobre território rural (ITR). “Temos meios de fazer a arrecadação aumentar e, ao mesmo tempo, distribuir renda. A Reforma Tribuária, de certa forma, pretende aumentar a taxação dos mais ricos e, do outro lado, diminuir proporcionalmente a tributação sobre o consumo/produção”, comentou. Ele afirmou, ainda, que vários impostos precisam ser simplificados e que a Reforma vai garantir recursos para as despesas de seguridade social.
O economista destacou a necessidade de se corrigir a tabela do imposto de renda: “Na hora que você abre as contas do imposto de renda você vê como os mais ricos pagam muito menos tributos em função de lucros e dividendos que não são tributados. Quando você olha a tabela, é escandalosa a isenção na renda dos mais ricos. É brutal. A grande parcela deles não é tributada”, disse.
Para ele, a reforma não é somente uma questão de eficiência econômica, mas de justiça social, uma das formas para se distribuir renda no país.
Reforma do consumo
A respeito da reforma tributária sobre consumo e produção, Marconi defendeu o imposto único para valor agregado, reunindo os impostos que hoje são cobrados na produção e no consumo para, segundo ele, aumentar a competitividade e reduzir o custo para os mais pobres.
“No fundo, quem paga essa tributação sobre o consumo, quem está pagando mais esses impostos são os mais pobres, pois é sobre quem incide mais fortemente dentro da cesta de consumo”, explicou.
O economista afirmou que a desigualdade da tributação no país só se resolve mexendo no equilíbrio entre carga tributária sobre produção e renda. “É um desequilíbrio muito grande. Você vê o setor de serviço reclamando que vai aumentar muito a tributação, mas, ok, veja quanto que na indústria, que o setor que mais sofreu do ponto de vista setorial, o peso dessa tributação. Onde recai mais é sobre a indústria de transformação, que é o setor que deveria ser mais estimulado a produzir para exportar. Então é uma distorção grande”
Previdência
Marconi destacou que, apesar do Plano Nacional de Desenvolvimento do PDT buscar o aumento de empregos formais, a base do financiamento da previdência, que vem da folha salarial, está diminuindo. Por isso, ele explica, a reforma deve prever uma carga tributária para financiar a previdência.
“O financiamento da previdência e a sustentabilidade do sistema dependem da reforma. Temos que mudar, fazer a combinação entre capitalização e repartição para possibilitar o financiamento da repartição. Com a reforma tributária e com o tempo, vamos depender menos da dotação sobre a folha”, disse. Ele ressaltou que a campanha não cogita impostos ao estilo da CPMF – Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira.
Propostas do Congresso
Sobre as propostas de reformas tributárias que hoje tramitam no Congresso Nacional, o assessor econômico do PDT comenta que elas são incompletas, pois não contemplam outros pontos do setor tributário, como, por exemplo, a tributação sobre a renda.
“Se pegarmos os dados da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), fica claro que a maior parte dos países têm uma participação maior da renda e menor da tributação sobre a produção e o consumo. E a gente tem uma composição que é o contrário, que precisamos mudar. As reformas que estão no Congresso não tratam dessa questão. E nem da tributação da riqueza”.
Marconi afirmou que Reforma Tributária é essencial e deve ser feita nos primeiros momentos de governo. Se eleito, o governo de Ciro Gomes espera contar com o apoio do Congresso Nacional e vai buscar um pacto federativo a partir da renegociação de dívidas dos governos estaduais e municipais.
Diálogos
Esta edição do Diálogos com os Presidenciáveis 2022 contou com a participação de Vilson Antonio Romero, Presidente da Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil (Anfip), Marlúcia Paixão, presidente da Federação Nacional do Fisco Estadual e Distrital (Fenafisco), e Tiago Barbosa Almeida, primeiro vice-presidente do Sindicato Nacional dos Auditores-Fiscais da Receita Federal do Brasil (Sindifisco Nacional).
O evento aconteceu na Afresp – Associação dos Auditores Fiscais da Receita Estadual de São Paulo, com transmissão ao vivo nas redes das entidades organizadoras.
Fonte: Fenafisco
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