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Multidão a favor e contra

8 de setembro de 2021

Se com os atos marcados para essa terça-feira, 7 de setembro, o presidente Jair Bolsonaro buscava mostrar apoio popular e força política, milhares de apoiadores foram às ruas em vários estados mostrando que, se por um lado o chefe do Planalto parece estar cada vez mais isolado politicamente, ele ainda tem apoio em um segmento expressivo da população para usar como base contra um processo de impeachment ou o avanço de investigações no Judiciário. Por outro lado, embora tenham atraído um menor número de pessoas, os protestos da esquerda também reuniram milhares de pessoas contra o governo e uma ala da direita que rompeu com o bolsonarismo ainda irá às ruas no próximo domingo (12).

A mobilização para os atos envolveu grande estrutura. Nas principais capitais, havia muitos caminhões, carros de som e guindastes usados pelos bolsonaristas. Organizadores promoveram caravanas de ônibus de cidades distantes da capital paulista para ampliar o número de presentes na Avenida Paulista, onde Bolsonaro queria mostrar mais força. Os apoiadores ocuparam as duas faixas por vários quarteirões.

Em São Paulo, Brasília e Rio, as três cidades que tiveram a maior aglomeração de apoiadores de Bolsonaro, foram expostos cartazes e faixas pedindo o fechamento do STF e do Congresso Nacional via intervenção militar. O apoio a esse tipo de pauta é minoritário no país. Pesquisa do Datafolha realizada no ano passado aponta que 75% dos entrevistados apoiam a democracia.

Apesar da preocupação levantada nas últimas semanas sobre a participação de policiais militares da ativa nos atos a favor do governo, as principais concentrações de apoiadores do chefe do Executivo não registraram problemas causados pelo grupo. Na Avenida Paulista, em São Paulo, e na Esplanada dos Ministérios, em Brasília, autoridades não relataram presença de agentes fardados ou mostrando armas publicamente no meio dos apoiadores do presidente. Policiais da ativa são proibidos de participar de manifestações políticas, segundo os regimentos estaduais da categoria.

OPOSIÇÃO

Do outro lado, movimentos sociais, entidades sindicais e partidos de esquerda promoveram atos em pelo menos 82 cidades, sendo 26 capitais. Os atos contrários a Bolsonaro dividiram a esquerda e não reuniram todos as siglas de oposição. O mesmo aconteceu entre os sindicatos. Parte alegou o temor de violência de apoiadores do governo. Legendas e movimentos sociais de centro e centro-direita programam para o próximo domingo protestos para pedir o impeachment de Bolsonaro.

Os organizadores dos protestos aproveitaram a programação do Grito dos Excluídos, que há 27 anos acontece em 7 de setembro, para promover os atos. Por todo o país houve faixas criticando a inflação e a alta no preço de alimentos e combustíveis; pedindo o impeachment de Bolsonaro; em defesa das instituições democráticas; pela memória das vítimas de Covid; por mais vacinas contra o coronavírus e pedindo comida e emprego.

Na capital paulista, os manifestantes se reuniram no Vale do Anhangabaú, no Centro, local simbólico por sediar os atos das Diretas Já, nos anos 1980. Além da esquerda, integrantes do movimento Acredito e do PSDB paulistano também participam, mas em menor número.

No Recife, protestos tranquilos

Vermelho de um lado e verde-amarelo do outro. Nesse 7 de setembro, o Recife se dividiu em cores e ideologias. A passagem do Dia da Independência foi marcada por manifestações pró e contra o presidente Jair Bolsonaro, além de panelaços e passeatas. Os apoiadores do presidente tomaram a Praia de Boa Viagem, na Zona Sul do Recife.

Com bandeiras do Brasil e vestidos de verde e amarelo, os manifestantes pediram liberdade de expressão, apelaram por intervenção militar, gritaram pelo fechamento do Congresso e do STF, defenderam o voto impresso e carregaram cartaz dizendo que o comunismo não tem espaço no Brasil. Além da passeata, liderada pela Aliança por Pernambuco e pelo Movimento Direita Pernambuco, Boa Viagem também foi palco da carreata da “Independência Dia 07/Dia D pela nossa liberdade”.

Vários manifestantes se aglomeraram e não usavam máscaras. Um deles, que falava em cima de um carro de som, afirmou que se fosse questionado sobre os protocolos utilizados durante o ato diria que eram os mesmos usados pelo Governo de Pernambuco nos ônibus do Estado. A fala é uma crítica à superlotação verificada nos coletivos da Região Metropolitana do Recife ao longo da pandemia.

“Nós vamos libertar o nosso País, o nosso País vai levantar a bandeira da vitória e dizer não à corrupção, não ao comunismo e não ao socialismo que tem destruído e saqueado a nossa nação. Fora corruptos, fora Lula!”, afirmou um dos manifestantes, ao se pronunciar em cima de um carro de som.

Do lado oposto, no Derby, na área central do Recife, aconteceu a 27ª edição do Grito dos Excluídos e das Excluídas. Organizado pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e com a colaboração das pastorais sociais da Igreja Católica, organizações civis e movimentos sociais. A CUT é uma da apoiadoras da iniciativa. Além deles, participaram do protesto os movimentos de luta de mulheres, de negros, sem teto, sem terra, sindicatos, partidos ligados à esquerda e o Fora Bolsonaro.

Houve aglomeração, embora os organizadores pedissem para os participantes fazerem um distanciamento social.

Até um grupo de pelo menos 50 policiais civis – que estavam de folga – participaram do evento, segundo o coordenador nacional do Movimento dos Policiais Antifascistas e diretor de comunicação do Sindicato dos Policiais Civis de Pernambuco (Sinpol-PE), Áureo Cisneiros. “Estamos na luta contra o ar de golpismo que deseja tomar conta do Brasil e temos a esperança de fazer uma segurança pública pautada nos direitos humanos”, comentou.

Além do Grito dos Excluídos e das Excluídas, outra manifestação contra o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) ocorreu ainda pela manhã. No bairro da Madalena, Zona Oeste do Recife, foram registrados panelaços e gritos de “Fora, Bolsonaro”.

Em Pernambuco, não foi registrada nenhuma ocorrência policial nos atos a favor ou contra o presidente, sejam no Recife ou no interior, de acordo com a Secretaria de Defesa Social. Na Capital, foram empregados 150 homens e mulheres da Polícia Militar nos três principais pontos de concentração (Centro do Recife, Imbiribeira e Avenida Boa Viagem).

Fonte: Jornal do Commercio

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