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CPI da Covid oficia Bolsonaro a explicar Covaxin

9 de julho de 2021

O presidente da CPI da covid, Omar Aziz (PSD-AM), afirmou que o comando do colegiado enviará uma carta ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido) cobrando uma posição sobre as acusações feitas pelo deputado Luis Miranda (DEM-DF) contra o governo. Em depoimento à CPI, Miranda relatou que Bolsonaro fora informado por ele e pelo irmão, servidor do Ministério da Saúde, de suspeitas de irregularidades na compra da vacina Covaxin e não investigou.

Aziz também pediu ao presidente que declarasse apoio a Ricardo Barros (PP-PR), acusado de estar envolvido no esquema, e afirmasse que ele é um homem honesto.

A subida de tom do senador é uma resposta as acusações de Bolsonaro que, mais cedo, havia dito que Aziz desviou R$ 260 milhões do Amazonas. A afirmação baseia-se na investigação do Ministério Público na operação Maus Caminhos, deflagrada em 2016 para apurar desvios na área da Saúde no Estado. O parlamentar é um dos suspeitos de participar do esquema, mas nunca foi condenado.

O presidente fez a declaração enquanto se defendia novamente das acusações de superfaturamento na compra de doses da vacina indiana Covaxin. Citou parâmetros técnicos do Ministério da Saúde e os trabalhos de órgãos de controle como impeditivos à corrupção na aquisição dos imunizantes.

“A Controladoria Geral da União, que tem um ministro à frente dela, faz um pente fino na maioria dos contratos. E depois ainda tem o Tribunal de Contas da União. Como é que você vai fazer uma sacanagem dessa? Só na cabeça de um cara que desvia do seu estado R$ 260 milhões, como o Omar Aziz desviou, que pode falar isso”, disparou em conversa com apoiadores na saída do Palácio da Alvorada.

Aziz afirmou não saber de onde Bolsonaro havia tirado o número, e desafiou o presidente a procurar um processo em que ele fosse réu ou denunciado. Disse que Bolsonaro já deve ter mandado “agentes de informação” levantar informações contra ele.

“Como ele se informa através de compadre, de compadrio, de coisas pequenas, a gente releva”. O senador também criticou o uso que Bolsonaro faz da conversa com seus apoiadores, no Palácio da Alvorada, para poder atacar adversários políticos.

“Nunca lhe chamei de genocida, nunca lhe acusei de ser ladrão, eu nunca disse que o senhor fazia rachadinha no seu gabinete. Eu nunca acusei o presidente da República de rachadinha, e o senhor vai pro cercadinho, onde devem ficar pessoas que não tem conteúdo para debater a crise nacional, superficialmente, jogando ao léu palavras que assacam contra todo mundo”, declarou o presidente da CPI. “Eu lhe acuso de ser contra a ciência, lhe acuso de tentar desqualificar as vacinas que estão salvando vidas”, continuou Aziz.

Usando palavrões, Bolsonaro disse ontem que não irá responder aos questionamentos da CPI sobre as denúncias de corrupção no governo. Segundo o presidente, o colegiado é composto por picaretas e patifes que estão preocupados em desgastar o governo.

“Sabe qual a minha resposta, pessoal? Caguei! Caguei para a CPI. Não vou responder nada. São sete pessoas que não estão preocupadas com a verdade”, afirmou o presidente durante transmissão semanal ao vivo pelas redes sociais.

“Que resposta posso ter para a CPI? Que não quer colaborar com nada, apenas desgastar o governo, criar o caos. De vez em quando tem certa reverberação, mexe na bolsa, faz aumentar o preço do petróleo, aumenta os combustíveis por tabela”, criticou o presidente.

Segundo Bolsonaro, o relator do colegiado, senador Renan Calheiros (MDB-AL) é “aliadíssimo” do seu maior obstáculo para a reeleição, o ex-presidente Lula (PT). Segundo pesquisa XP/Ipespe de ontem, Lula abriu 12 pontos porcentuais de vantagem em intenções de voto sobre Bolsonaro: 38% a 26%.

Rejeição atinge o pior índice

Em meio ao avanço da CPI da covid, a rejeição ao presidente Jair Bolsonaro atingiu o pior índice desde o início do mandato, segundo pesquisa Datafolha divulgada nessa quinta-feira (8). De acordo com o levantamento, 51% dos eleitores classificaram o governo como ruim ou péssimo, o pior resultado registrado pelo chefe do Executivo em 13 levantamentos feitos pelo instituto desde 2019.

A reprovação era de 45% no questionário anterior, aplicado em 11 de maio. Em 8 de dezembro, quando começou a curva ascendente, o número bateu 32%. A taxa de ótimo ou bom manteve-se estável em 24%, desde maio. Já o percentual de quem acha o governo Bolsonaro regular foi de 30%, na pesquisa anterior, para 24% agora.

A margem de erro é de dois pontos, para mais ou para menos. A pesquisa foi feita presencialmente nos dias 7 e 8 de julho com 2.074 pessoas acima de 16 anos em 146 municípios.

O levantamento pode medir o efeito de notícias recentes que envolvem o governo em suspeitas, como a revelação de áudios da ex-cunhada do presidente, a fisiculturista Andrea Siqueira Valle, que afirma que, quando era deputado federal, Bolsonaro demitiu o irmão dela porque ele se recusou a devolver parte do salário ao mandatário.

O período do questionário abarca, também, os depoimentos na CPI que levantam suspeitas sobre a compra da vacina indiana Covaxin; manifestações contra Bolsonaro que levaram até partidos de centro, como o PSDB, às ruas, ao lado da esquerda; e a autorização do Supremo Tribunal Federal (STF) para apurar a conduta de Bolsonaro no caso da negociação para a aquisição da Covaxin.

Na série histórica do Datafolha, a rejeição a Bolsonaro só não é pior que a de Fernando Collor, que, em 1992, enfrentava 68% de ruim ou péssimo meses antes de renunciar para evitar um processo de impeachment.

\’DESONESTO\’

A pesquisa também mostra que a maioria dos entrevistados classifica o presidente da República como “incompetente” e “desonesto”.

Segundo o levantamento, o percentual dos eleitores que consideram Bolsonaro desonesto subiu de 38%, em junho de 2020, quando os pesquisadores fizeram o mesmo tipo de pergunta pela última vez, para 52% no questionário atual. No mesmo período, caiu de 48% para 38% o número daqueles que responderam que acham o presidente honesto. Numa pergunta correlata, 55% disseram que acham mandatário falso, enquanto 39% o chamam de sincero.

Já a parcela da população que acha o presidente incompetente passou de 52% para 58% do ano passado para cá, de acordo com o Datafolha. O grupo dos que confiam na competência do chefe do Executivo foi de 44% para 36% no mesmo período.

Também cresceu a parcela da população que entende que Bolsonaro é “pouco inteligente”, segundo o instituto de pesquisa. O número foi de 39%, em abril de 2019, para 54%, em junho do ano passado, e, finalmente 57% no levantamento dessa quinta.

Quando o questionário avança sobre outras questões que revelam como o eleitor vê o presidente, 57% o classificam como indeciso e 66% acham que ele respeita mais os ricos – 17% citaram mais respeito aos pobres nesta pergunta.

 

Fonte: Jornal do Commercio

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