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Para Paulo, CPI evita a repetição de erros

27 de abril de 2021

A um dia da realização da primeira reunião da CPI da covid, no Senado, o governador de Pernambuco, Paulo Câmara (PSB), afirmou que o governo federal poderia ter salvado muitas vidas se não tivesse cometidos diversas falhas em sua atuação desde a chegada do vírus ao Brasil, no ano passado.

“O número de mortos no Brasil, ele é muito em consequência disso. De não se ter tido uma política única de combate à pandemia e vendo as peculiaridades de cada região, vendo o momento que atravessava cada estado e cada município e poder com harmonização e unidade buscar as soluções”, declarou o gestor.

Os governadores, seja através do Consórcio Nordeste ou pelo Fórum Nacional de Governadores, têm feito diversas cobranças ao governo federal por meio de cartas assinadas em conjunto. Segundo o governador pernambucano, os estados tiveram que montar as estruturas de saúde, sem praticamente nenhuma ajuda no âmbito federal, diante do déficit de equipamentos necessários para montar as instalações de leitos de UTI.

Paulo Câmara também citou a propagação do negacionismo por parte do presidente Jair Bolsonaro com relação às medidas restritivas que tiveram que ser impostas aos estados e municípios, na tentativa de conter o avanço da covid-19.

“Nós tivemos que tomar essas medidas no âmbito local, ou seja, cada estado teve que tomar medidas restritivas, seja pedir a população para ficar em casa, seja pedir para que reforçassem na higienização, na utilização de máscaras quando precisasse sair de casa e o distanciamento social. E tivemos muitos momentos no governo federal sendo contrário a essas medidas”, afirmou o gestor, em entrevista à CBN Recife.

Questionado sobre a inclusão dos estados e municípios a também serem alvos da CPI da covid-19, o chefe do Executivo disse esperar “que a CPI possa dar uma contribuição para que os erros do passado não sejam mais repetidos no futuro”.

ELEIÇÕES

O governador, que também é vice-presidente nacional do PSB, tentou minimizar a possibilidade de o PDT desembarcar do arco de alianças dos socialistas dado ao movimento de reaproximação do partido com o PT. “Em 2022, com certeza vamos estar do mesmo lado progressista, que é o lado que quer ver o Brasil sendo administrado de forma diferente dos dias atuais”, afirmou Paulo Câmara.

O gestor rememorou a aliança, classificada por ele como “exitosa”, entre o PSB e PDT, nas eleições municipais de 2020, citando como exemplo a eleição do prefeito do Recife, João Campos (PSB), e da vice-prefeita Isabella de Roldão (PDT). E também fez acenos aos presidentes estadual (Wolney Queiroz) e nacional (Carlos Lupi) da legenda.

No entanto, essa união dependerá de como os socialistas vão se posicionar caso o ex-presidente Lula (PT) entre realmente na disputa pela presidência da República. Em entrevista à Folha de Pernambuco, Wolney disse que “se o PSB estiver com o PT em Pernambuco, estaremos em outro palanque”.

Para Paulo Câmara, Lula continua sendo um ator importante para 2022. “O PSB não vai se omitir em fazer essa discussão com todos do campo progressista, seja do PT, do PDT e dos outros partidos que fazem a Frente Popular e querem mudar o Brasil. Ou seja, querem trabalhar de uma forma diferente do que o Brasil está sendo gerido nos últimos anos”, destacou Paulo Câmara.

“Não estiquem mais a corda”

O presidente Jair Bolsonaro voltou a indicar ontem que pode recorrer às Forças Armadas para impedir a adoção de medidas restritivas nos Estados. Ao alertar para que “não estiquem mais a corda” em relação às ações de governadores e prefeitos, Bolsonaro também voltou a citar que o Supremo Tribunal Federal (STF) garantiu autonomia para os governos locais decidirem sobre as ações de combate à crise sanitária.

“É inconcebível os direitos que alguns governadores e prefeitos tiveram por parte do Supremo Tribunal Federal. É inconcebível. Nem estado de sítio isso aconteceria no Brasil. Não estiquem a corda mais do que está esticada”, disse o presidente da República em entrevista à imprensa durante passagem pelo município de Conceição do Jacuípe, na Bahia.

“As Forças Armadas estão aí para garantir a lei e a ordem e para cumprir integralmente a nossa Constituição. Eu te devolvo a pergunta: estão ferindo o artigo 5º da Constituição ou não?”, indagou ao ser questionado sobre o uso de militares para impedir toques de recolher, possibilidade mencionada pelo Chefe do Executivo na semana passada.

Na entrevista, Bolsonaro também afirmou não estar preocupado com as eleições de 2022. “Não estou preocupado com 22. Vinte e dois é outra história, se eu me preocupar com política eu não trabalho. A Bahia que vai escolher seus futuros representantes aqui”, disse.

 

VICE ACHA DIFÍCIL

O vice-presidente Hamilton Mourão afirmou que as declarações do presidente sobre o uso da Forças Armadas para combater decretos estaduais de restrição da circulação do novo coronavírus são uma resposta “ao que Bolsonaro imagina” sobre o possíveis distúrbios. “Ou talvez baseado em outras informações que eu não disponho de iminência de graves distúrbios públicos, como saques a supermercados, bloqueios de ruas, avenidas ou estradas por uma população, vamos dizer assim, revoltada contra certas atitudes”, completou.

Durante transmissão promovida pelo Valor Econômico ontem, Mourão avaliou ser “difícil” que aconteça uma situação de calamidade social e consequente uso das Forças Armadas.

Segundo o vice-presidente, existe “um desconhecimento muito grande por parte da elite pensante brasileira” sobre como atuam as Forças Armadas. “Aqui, quem serve ao Exército é o escalão mais baixo da sociedade. Esse nos conhece. Os escalões mais altos não nos conhecem”, disse.

Mourão é general da reserva do Exército, ala militar mais presente no governo federal.

“As Forças Armadas são instituições nacionais, permanentes. A hierarquia e a disciplina são extremamente caras para elas e elas são muito conscientes da missão que está na Constituição”, completou o vice-presidente ao citar a defesa da Pátria, a garantia dos Poderes e garantia da Lei e da Ordem.

Fonte: Jornal do Commercio

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