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Sob pandemia, PIB estadual desacelera
20 de junho de 2020A economia pernambucana, que ensaiava uma recuperação desde o ano passado, sentiu a atividade desacelerar nos três primeiros meses de 2020, já sob efeitos iniciais da pandemia do novo coronavírus na segunda quinzena de março. No trimestre, o Produto Interno Bruto (PIB) estadual apresentou crescimento de 0,8% em relação ao mesmo período de 2019, ainda assim superior ao índice nacional, de 0,5%.
No ano passado, o PIB de Pernambuco havia crescido 1,9%, resultado puxado pelo quarto trimestre, cuja alta foi de 2,9%, enquanto os trimestres anteriores tiveram taxas de 0,9%, 2,3% e 1,5%, sempre comparado ao trimestre equivalente de 2019.
Em meio à possibilidade de recessão que abate o País, indústria e agropecuária ajudaram a puxar o índice estadual para cima no primeiro trimestre de 2020, com respectivas altas de 3,2% e 0,4%, enquanto o segmento de serviços – impactado pelo fraco desempenho do comércio e atividades turísticas – recuou 0,1%.
No confronto com o último trimestre do ano passado, Pernambuco amarga uma retração de 0,5%. Apesar da queda, o Estado continua à frente do Brasil, que no período viu a sua produção de riquezas cair 1,5%.
Os dados foram apresentados ontem (15) pela Agência Estadual de Planejamento e Pesquisas de Pernambuco (Condepe/Fidem). Na avaliação da presidente do órgão, Sheilla Pincovsky, diante da pandemia, o resultado alcançado por Pernambuco não pode ser considerado ruim. “O crescimento não é igual ao que o Estado vinha apresentando antes em um movimento de recuperação, mas não é um resultado ruim. Foi discreto, porém positivo”, pontua Sheilla Pincovsky. Segundo ela, diferente dos primeiros três meses do ano, o segundo trimestre reserva números desfavoráveis e forte retração no PIB. “Teremos um comportamento de queda intensa. O período de abril a junho será o pior momento do ano para Pernambuco e o Brasil”, sentencia a presidente da Condepe/Fidem.
Em valores absolutos, a economia pernambucana agregou no primeiro trimestre R$ 51,6 bilhões, um ligeiro crescimento, já que o Estado teve um resultado de R$ 50,3 bilhões no primeiro trimestre de 2019. Diante desta conjuntura, a Condepe/Fidem estima que o PIB estadual tenha um tombo de -8% até o fim deste ano. “Fazer projeções em tempos de crise é algo extremamente complicado, mas, com os dados que temos, nossa expectativa é de retração, com pelo menos 8% de queda”, afirma o diretor de Estudos, Pesquisas e Estatística da Condepe/Fidem, Maurílio Soares.
Para minimizar os impactos na pandemia na economia de Pernambuco, indústria e agropecuária foram fundamentais. Com peso de 20,9% no PIB estadual, o primeiro segmento cresceu 3,2%, enquanto a indústria nacional caiu 0,1% no primeiro trimestre de 2020. Dentro do segmento industrial, enquanto a construção civil encolheu 5,3%, a indústria de transformação foi o grande destaque, com avanço de 8%. Só no coque, de derivados do petróleo e de biocombustíveis, a alta foi de 38,2%.
“O que mais impulsionou o crescimento da indústria em Pernambuco foram as exportações de biocombustíveis e o segmento alimentício, que teve um crescimento de 29,7% e já vinha apresentando alta na produção industrial desde janeiro”, explica o economista da Fiepe, Cezar Andrade, ressaltando que o desempenho do setor já era esperado.
Com o consumo desaquecido e o fechamento de hotéis, bares e restaurantes, em decorrência das medidas restritivas para tentar conter o avanço da covid-19, o setor de serviços registrou a única queda (-0,1%) entre os três grandes setores econômicos no primeiro trimestre deste ano. As atividades de comércio e de outros serviços apresentaram as maiores contribuições negativas em relação ao mesmo trimestre do ano passado. As respectivas reduções foram de 1,5% e 3,8%. O grupo de serviços é o mais representativo do Estado em relação à economia, com expressão equivalente a 75,3% do PIB.
“Quando a pandemia começou, em março, nós já prevíamos que o setor de serviços seria o mais impactado. Isso porque, além de ter suas principais atividades suspensas durante o isolamento social, ele reflete a realidade dos outros setores”, afirma Maurílio Soares, lembrando que o segmento de outros serviços, que inclui atividades turísticas, foi o principal motivador da queda.
Com impacto relativamente menor no resultado do Produto Interno Bruto estadual, por representar apenas 3,9% da composição setorial do PIB, a agropecuária teve um aumento de 0,4%. O resultado fez do segmento o único a ter desempenho abaixo do nacional, que registrou alta de 1,9%. “Nosso resultado ficou aquém dos números do País, porque temos uma agropecuária baseada em produtos completamente diferentes, que nesta época do ano vivem sua entressafra”, justifica o gerente de Estudos e Pesquisas Socioeconômicas da Condepe/Fidem, Rodolfo Guimarães. Para ele, as condições climáticas também influenciaram o recuo do setor. “Se não fossem esses fatores, certamente, teríamos um resultado melhor”, diz Guimarães.
De acordo com ele, o baixo crescimento em Pernambuco foi resultado da retração das lavouras permanentes (-19,5%), com influência das quedas na produção de laranja, banana, coco-da-baía e manga, além da das lavouras temporárias, com queda de 18%, puxada pelo melão, mandioca, batata-doce, cebola e tomate. No sentido contrário, a pecuária teve impacto positivo no setor, crescendo 3,9%, com maior volume da produção de ovos, suínos, bovinos e aves.
Fonte: Jornal do Commercio
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