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Aposentadoria é tema global

14 de janeiro de 2019

A terceira idade parece muito diferente dependendo de onde você esteja no mundo, e, cada vez mais, da geração à qual pertence. O envelhecimento das populações e a diminuição da taxa de natalidade estão estimulando países por todo o globo a reavaliar o funcionamento da aposentadoria – e o que precisa mudar para estender os benefícios disponíveis hoje aos aposentados do futuro.

Muitos não estão otimistas. Quase metade dos entrevistados em um relatório recente do Centro Aegon para a Longevidade e a Aposentadoria disse que as gerações futuras estarão em pior situação do que aqueles agora aposentados, em parte porque as pessoas estão vivendo mais. De acordo com as Nações Unidas, o número de indivíduos com mais de 60 anos em todo o mundo pode dobrar até 2050, indo para 2,1 bilhões. Na década de 1950, esse segmento da população mundial era de cerca de 205 milhões.

“Quando os 65 anos se tornaram o número mágico da aposentadoria nos EUA, as pessoas não viviam tanto tempo. Agora, muitas pessoas podem chegar a viver até cem anos”, disse Catherine Collinson, diretora executiva do Aegon e executiva-chefe e presidente do Instituto Transamerica, uma organização sem fins lucrativos que pesquisa saúde e aposentadoria.

“A aposentadoria de 30 a 40 anos é muito diferente de uma aposentadoria de 10 ou 20 anos.” A pesquisa do Aegon constatou que um novo modelo de aposentadoria global precisaria incluir o acesso universal a um sistema de poupança para os trabalhadores, maior alfabetização financeira e cuidados de saúde a preços acessíveis, entre outras soluções.

Aqui está um resumo da aposentadoria em nove países:

JAPÃO

O país tem a sociedade que envelhece mais rapidamente no mundo, e também tem a maior expectativa de vida. Enfrentando escassez de mão de obra (por causa de décadas de baixa natalidade), aumento da dívida e declínio da população, o Japão incentivou os trabalhadores mais velhos a se aposentar mais tarde. Pesquisas governamentais mostram que mais da metade dos homens japoneses que passaram da idade de aposentadoria tem trabalho assalariado, significativamente mais que os americanos ou os europeus.

O primeiro-ministro Shinzo Abe disse ao “Nikkei Asian Review”, em setembro, que queria elevar a idade mínima de aposentadoria para mais de 65, e fornecer um incentivo para aqueles que a adiam para depois dos 70 anos.

BRASIL

A idade média de aposentadoria é de 56 anos para homens e 53 para mulheres, de acordo com a Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômicos (OCDE). E, sim, isso é bem caro. Um generoso sistema de pensões, que paga cerca de 70 por cento do salário final de um trabalhador, contribuiu para a crise da dívida do país. O Banco Mundial disse que o sistema não era financeiramente sustentável e recomendou reformas.

ALEMANHA

A idade de aposentadoria é de 65 anos e sete meses, e aumentará gradualmente até chegar aos 67 em 2029. A Flexirentengesetz (lei de aposentadoria flexível), aprovada em 2016, foi projetada para ajudar os trabalhadores mais velhos a se aposentar de uma forma que melhor se ajuste às necessidades individuais. Ela proporcionou incentivos para aqueles que queiram trabalhar além da idade habitual e facilitou a elaboração de pensões parciais que poderiam ser complementadas com rendimentos. A OCDE observou que os futuros aposentados da Alemanha poderiam receber cerca de 51 por cento de seu salário em pensões, valor maior que em muitos outros países desenvolvidos.

FRANÇA

A idade mínima de aposentadoria foi aumentada recentemente de 60 para 62 anos, e as pensões são majoritariamente financiadas pelo Estado. A França gasta quase 14 por cento do seu produto interno bruto com aposentadorias, muito mais do que a média da OCDE de 8,2 por cento. Uma reforma provou ser uma espécie de veneno político (mais de um milhão de pessoas protestaram nas ruas quando o ex-presidente Nicolas Sarkozy tentou uma mudança). Mas uma revisão do sistema feita pelo presidente Emmanuel Macron, mesmo sendo impopular, vai entrar em vigor em 2025. O plano criaria um sistema de pensão única, unificando as dezenas de planos diferentes nos setores público e privado. De acordo com a OCDE, a França tem baixas taxas de pobreza entre os idosos, e as pessoas com mais de 65 anos ganham em média mais do que a população em geral.

CHINA

A política chinesa do filho único, que durou quase quatro décadas, até 2015, e a expansão dos benefícios para os cidadãos rurais têm ajudado a criar a tempestade perfeita de uma força de trabalho que encolhe e um déficit previdenciário que cresce. As restrições aos fundos de pensão do país foram relaxadas nos últimos anos, permitindo que os fundos invistam no mercado acionário pela primeira vez. O governo também está incentivando o crescimento de um sistema de previdência privada para colocar o ônus no indivíduo, que precisará economizar para a aposentadoria, e para aliviar a dependência da cobertura financiada em grande parte pelo Estado.

REINO UNIDO

Como relatou o “The New York Times”, o alcance das medidas de austeridade britânicas afetou a seguridade social do país. Um relatório da OCDE constatou que o Reino Unido tem elevados níveis de pobreza entre as pessoas de 75 anos ou mais por causa da baixa aposentadoria estatal. Disse também que os trabalhadores britânicos receberiam aproximadamente menos de um terço de seu salário da ativa em benefícios de aposentadoria – o índice mais baixo entre os países desenvolvidos. Em outubro, dois órgãos reguladores anunciaram uma revisão do processo de pensões, observando que muitos dos futuros aposentados não terão dinheiro suficiente, ou muito pouco, para viver.

O Reino Unido não tem uma idade de aposentadoria   obrigatória, mas há pouco tempo o governo anunciou que está gradualmente aumentando a idade para as mulheres de 60 a 65 para entrar em consonância com a idade para os homens. A idade será então de 66 anos para homens e mulheres de 2019 a 2020, com planos de elevá-la a 67 em 2026.

CANADÁ

No Canadá, você pode receber uma pensão, chamada de Segurança da Velhice, a partir dos 65 anos, ou uma pensão reduzida começando aos 60. Ao ser eleito primeiro-ministro em 2015, Justin Trudeau reverteu o plano de seu antecessor, o conservador Stephen Harper, de elevar a idade para 67. Mas o Canadá tem adotado outras reformas, como o aumento dos benefícios de um sistema obrigatório conhecido como o Plano de Pensões do Canadá.

AUSTRÁLIA

O sistema de aposentadoria da Austrália consiste em uma pensão paga àqueles cuja renda está abaixo de certo limite, e um plano compulsório de previdência corporativa conhecido como superannuation, que exige que os empregadores contribuam com 9,5 por cento dos salários de um trabalhador para um fundo. Os trabalhadores recebem incentivos fiscais para fazer contribuições voluntárias.

A Austrália não tem aposentadoria obrigatória, exceto para poucas ocupações, e a idade mínima para conseguir benefícios é baixa – 55 anos, dependendo do ano em que a pessoa nasceu. A idade atual de aposentadoria é de 65 anos e seis meses, e chegará a 67 até 2023. O conservador Partido Liberal, que governa o país, tenta aumentar a idade para 70 anos. Em setembro, o primeiro-ministro Scott Morrison desistiu dessa meta.

HOLANDA

O sistema do país é constituído por uma pensão estatal suplementada com planos ocupacionais obrigatórios. Os trabalhadores contribuem com uma média de 18 por cento dos seus rendimentos para os fundos corporativos de aposentadoria, que são separados do empregador ou da empresa de acordo com a lei holandesa, além de ser estritamente regulamentados. A idade de aposentadoria na Holanda em breve estará ligada à expectativa de vida, mas atualmente é de 66 e subirá para 67 em 2021. O aposentado médio receberá cerca de 100 por cento de sua renda anterior em benefícios, de acordo com a OCDE, que também notou que a pobreza entre os idosos era extremamente baixa em comparação com a média entre outros países desenvolvidos.

Fonte: The New York Times / Jornal do Commercio

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