Marca SINDIFISCO Sindicato dos Auditores Fiscais e Julgadores Tributários de Pernambuco

Notícias

Caminhos para resolver a questão

7 de outubro de 2018

O debate sobre os caminhos para interromper o crescimento da dívida passou ao largo da campanha no primeiro turno. Entretanto, um dos maiores especialistas no assunto no Brasil, o economista Raul Velloso reconhece que esse não é, de fato, assunto para o grande público, e sim para iniciados. Velloso estuda o tema há décadas e adverte que o mais importante não é olhar apenas a trajetória para fazer estimativas de sua solução, mas buscar caminhos para abordar, de fato, a questão.

Ele confessa que o que viu e ouviu dos representantes dos candidatos não aponta caminhos muito promissores. Ele não cita nomes, mas questiona a ideia de vender ativos (proposta pelo economista Paulo Guedes, representante de Jair Bolsonaro) para arrecadar R$ 1 trilhão. “Tem mercado? Quem vai comprar? E por qual preço?”, questiona. Também não acredita na proposta de que é preciso a economia voltar a crescer, pois com isso a arrecadação subiria e o déficit diminuiria (proposta de Fernando Haddad, do PT). “Cresceria a ponto de eliminar os R$ 163 bilhões como previsto em 2019?”, indaga. E também lhe preocupa a ideia de usar parte das reservas brasileiras no exterior (hoje US$ 381,3 bilh ões), sugerida por Ciro Gomes, porque ela não resolve a questão nem cria um caminho seguro para a redução da dívida.

Velloso prefere caminhos mais realizáveis. Este caminho seria abordar a questão da Previdência estatal, onde está o maior problema. Velloso sugere a criação de um grande fundo de pensão formado por ativos da União, entre eles ações de estatais, além de outros que possam gerar remuneração, de forma a reduzir as necessidades de financiamento do Tesouro dentro do OGU. O fundo poderia gerar recursos para eliminar o déficit, sinalizando para o mercado que a questão está encaminhada, além de reduzir as necessidades de novos empréstimos do Tesouro, criando uma trajetória de redução da Dívida Pública Federal. Para ele, a ideia de capitalização simples (separação das contribuições dos servidores mais a parte da União ou Estados) é insuficiente para mudar a trajetória de crescimento, mesmo das dívidas previdenciárias atuais.

Fonte: Fonte: Jornal do Commercio

Notícias