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Incerteza eleitoral puxa juros futuros

19 de setembro de 2018

O resultado da pesquisa eleitoral divulgada nesta terça-feira pelo Ibope reforça, no campo político, a incerteza sobre quem irá levar a disputa presidencial. Na esfera econômica, o resultado ainda em aberto exige cautela por parte dos investidores. Isso porque, a depender de quem for escolhido como novo presidente, ações, dólar, inflação e juros, por exemplo, tendem a se comportar de formas diferentes – tornando incerto também a rentabilidade dos mais diferentes tipos de aplicações financeiras.

Os juros básicos devem ser mantidos na mínima histórica hoje na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), mas, na vida real, a turbulência eleitoral tem puxado para cima as taxas que realmente importam para a economia – a praticada entre os investidores – e piorado as condições de financiamento das empresas. Diante de um acesso a crédito ainda precário, o aperto torna mais aguda a seletividade dos bancos na hora de emprestar e atrasa a retomada do investimento, dizem especialistas.

Enquanto o Copom mantém a taxa Selic em 6,5% ao ano, os contratos de juros futuros – que refletem o nervosismo do mercado e são usados como referência para empréstimos – já são negociados por quase o dobro disso. Os contratos com vencimento em janeiro de 2021, que estavam em 7,8% em abril, fecharam em 9,8% na segunda-feira. Já o contrato vencendo em 2023 está em 11,5%, contra 9% em abril, enquanto o que vence em 2025 é negociado acima de 12%. A indefinição também está tensionando o mercado de renda fixa. Os grandes fundos de investimento, por exemplo, já estão recorrendo aos contratos de juros futuros – aqueles investimentos que se baseiam no que o mercado espera da taxa de juros quando o contrato for encerrado.

Os contratos de juros futuros DI são derivativos financeiros negociados em mercado, que refletem a média das taxas praticadas entre agentes financeiros para determinado período. Na prática, refletem a expectativa dos investidores para o comportamento da Selic daqui em diante. Como os bancos emprestam esperando receber lá na frente, são esses contratos que eles observam para balizar quanto cobrarão do tomador.

Os juros futuros vêm subindo desde maio, impactados pela greve dos caminhoneiros. Depois da paralisação, as taxas recuaram, mas retomaram a trajetória de alta em agosto, com o acirramento da corrida eleitoral. Para os investidores, esses dois eventos são indícios de dificuldades econômicas no futuro, que levariam o Copom a subir os juros mais à frente para lidar com desequilíbrios como inflação elevada e fuga de capitais. A expectativa do mercado, no entanto, é que a taxa não deve subir a curto prazo, já que a inflação permanece baixa e a retomada da economia está mais lenta que o previsto.

“Estamos em um período que está abrindo diversas oportunidades para o investidor. Mas é preciso cautela e saber ler o cenário político e entender se o perfil pessoal é mais arrojado ou conservador”, sugere o coordenador do MBA do Cedepe, Tiago Monteiro.

Num cenário oposto, com a vitória de Fernando Haddad (PT) ou Ciro Gomes (PDT), quem investiu na compra de dólares deve sair ganhando já que, com a vitória de candidatos com discurso menos liberal a expectativa é que a moeda americana tenha uma nova trajetória de alta.

Fonte: Fonte: Jornal do Commercio

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