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Planalto está pessimista

16 de fevereiro de 2018

O Palácio do Planalto já admite um cenário mais pessimista para o avanço da reforma da Previdência neste ano, mas a ordem no governo é iniciar a discussão da proposta na Câmara na próxima semana, mesmo sem os votos suficientes para aprová-la.

Apesar de os principais auxiliares do presidente Michel Temer reconhecerem que hoje não há o apoio de 308 dos 513 deputados às mudanças nas regras de aposentadoria, a ideia é colocar a medida para apreciação dos parlamentares e sinalizar que o governo se esforçou até o limite.

Escalado para fazer o discurso oficial, o ministro da Secretaria de Governo, Carlos Marun (PMDB), disse que a discussão da reforma no plenário da Câmara começará na terça-feira (20), mas evitou comentar sobre o número de votos que tem sido monitorado pelo governo. “Tenho convicção de que, independentemente dos votos que tivermos na segunda, a discussão começa na terça”.

Mesmo com o calendário oficial chancelado, ministros próximos a Temer começaram a ecoar, nos bastidores, o discurso do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ) de que, caso o texto não seja aprovado neste mês, é melhor que ele seja engavetado no Congresso.

Como mostrou a Folha de S.Paulo na semana passada, caso o governo não obtenha os votos necessários para aprovar a reforma em fevereiro, Maia quer tirar o assunto da pauta da Câmara e transferir o ônus da derrota para o Planalto.

O discurso de Maia deve ser o de que o texto ficará como “legado” para ser votado em 2019 pelo novo presidente da República, que será eleito no próximo mês de outubro.

Caso a reforma seja engavetada, o governo deve apostar em medidas de segurança pública, simplificação tributária e normas sobre agências reguladoras e fundos de pensão. A regularização fundiária, além de propostas ligadas à microeconomia, também deve servir de gatilho para Temer tentar passar a imagem de que continua trabalhando.

Fonte: Fonte: Jornal do Commercio

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