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Maia ameaça tirar reforma da pauta

6 de fevereiro de 2018

A duas semanas da data marcada para a votação da reforma da Previdência o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM), afirmou que, caso o governo não consiga reunir o apoio suficiente para aprovar a reforma no próximo dia 20 de fevereiro, a proposta será retirada de pauta e deixará o texto como “um legado” para 2019, sob a apreciação de um novo presidente da República. Para complicar mais ainda os planos do Palácio do Planalto, o relator da reforma, deputado Arthur Maia (PPS), disse que as possíveis mudanças no texto – para atender a pleitos dos parlamentares – não estão fechadas.

Em reunião na semana passada, segundo a Folha de S.Paulo apurou, ministros do núcleo político do presidente, como Eliseu Padilha (Casa Civil) e Moreira Franco (Secretaria-Geral) já corroboravam a tese de Maia de que, caso não haja apoio suficiente para a reforma no dia 20, é melhor que o texto saia da pauta.

Maia disse, em discurso no início do ano legislativo ontem, que o Congresso também tem crédito pela recuperação da economia do País e que não tem “nenhum constrangimento” em defender a reforma em público.

Já o presidente do Senado, senador Eunício Oliveira (PMDB), disse que não se deve admitir uma reforma da Previdência que prejudique aqueles que têm menos condições na sociedade brasileira.

Nesse fim de semana, após uma série de reuniões, o relator reconheceu que pretendia mostrar uma nova versão da mudança nas regras de aposentadoria ao presidente Michel Temer (PMDB) ontem, mas argumentou que não seria possível devido ao impasse nas negociações com as bancadas dos partidos aliados.

Mesmo com a dificuldade em conseguir os 308 votos necessários para fazer avançar a proposta no Congresso, Arthur Maia defendeu que o texto seja votado neste mês ou retirado da pauta da Câmara. “Estamos em um momento decisivo. Não há como esperar. Ou vota ou tira e acaba com essa conversa. Se não votarmos em fevereiro, não há mais o que ser feito. É a minha opinião”, afirmou.

O ministro da Secretaria de Governo, Carlos Marun (PMDB), responsável pela articulação política do Planalto, disse que “o ideal” seria divulgar a versão final da proposta até o fim desta semana, antes do feriado de Carnaval.

“Não chega a ser uma frustração (caso o novo texto não seja apresentado nesta semana). Realmente é nosso desejo termos já nesta semana o nosso texto definido. Sei também que esse é o pensamento do relator, então ele deve estar trabalhando nesse sentido. Vou conversar com ele”, afirmou Marun.

O ministro admitiu, porém, que nos últimos dias ainda não chegaram até ele propostas de flexibilização no texto “corroboradas do compromisso de votos”.

A resistência de Marun começa a se tornar um foco isolado no governo, diante do pessimismo dos principais ministros e auxiliares de Temer e do próprio presidente da Câmara quanto ao avanço da medida no Congresso.

Em mensagem ao Congresso, Temer afirmou que seu governo já fez ajustes para suavizar o projeto da reforma da Previdência e que “chegou a hora de tomar uma decisão” sobre a proposta. Na mensagem lida pelo primeiro-secretário da Câmara, deputado Fernando Giacobo (PR), Temer declarou que a reforma é urgente e apontou que o projeto enviado pelo governo no fim de 2016 já foi “amplamente discutido”.

Fonte: Fonte: Jornal do Commercio

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