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Tempo apertado é inimigo da reforma

2 de fevereiro de 2018

O ministro da Secretaria de Governo, Carlos Marun (PMDB), disse ontem que o relator da reforma da Previdência na Câmara, deputado Arthur Maia (PPS-BA), apresentará o texto final da proposta na próxima terça-feira (6). O dia para que o texto seja votado em plenário continua previsto para o dia 19 de fevereiro.

O governo avalia que, se não conseguir votar a proposta em fevereiro, o debate ficará para o ano que vem. Mas na visão do ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, o governo vai “liquidar” a questão da reforma da Previdência em fevereiro. O ministro afirmou que o presidente Michel Temer (PMDB) vai “encerrar” o assunto este mês, e que a votação da proposta é uma luta “que deve ter um momento de parar”. Padilha disse que não trabalha com a hipótese da não aprovação da matéria, ainda que o governo admita que, hoje, não tem os votos para aprová-la.

“Temos uma batalha que deve ter um momento de parar e, na nossa visão, (esse momento) é fevereiro. Queremos votar em fevereiro e estamos fazendo de tudo para ter os votos necessários”, afirmou Padilha.

No esforço de conseguir os votos de indecisos (a matéria precisa ser aprovada por dois terços da Câmara, ou seja, 308 parlamentares), Carlos Marun tem feito viagens pelo País para pedir a empresários que pressionem seus deputados federais para aprovarem o texto. Atualmente, governo tem entre 230 e 250 votos garantidos.

Para isso, Marun disse que o governo está aberto a propostas vindas de outros setores que contribuam com o texto da reforma a ser apresentado, mas enfatizou que o Planalto não abrirá mão da idade mínima, de 62 anos para mulheres e de 65 para homens, e também da unificação das condições de aposentadoria para o funcionário público e o contribuinte privado.

Ele, contudo, deixou claro que contribuições e ideias poderiam ser acatadas a depender da quantidade de votos que quem sugerir consiga no Congresso. “Não queremos palpite. Queremos propostas. Em surgindo propostas, vamos ouvir. Mas tragam também os votos dos seus deputados”, disse.

O ministro da Casa Civil também admitiu novas mudanças no texto que está na Câmara. “Em princípio, nosso texto é o relatório do deputado Arthur Maia. Porém, se nos mostrarem por A, B e C que efetivamente teremos os votos para que possamos aprovar a reforma, é possível ainda que se façam mudanças”, explicou Padilha.

De acordo com Marun, a oposição inicial à reforma e o fato de este ano ser de disputa eleitoral gerou insegurança em parte da base aliada, que teme votar proposta impopular com o governo e depois sofrer revés nas urnas. “O receio do insucesso eleitoral é o que dificulta a aprovação”, disse.

Para o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), a dificuldade que o governo enfrenta para aprovar a reforma da Previdência no Congresso Nacional não tem relação com os altos índices de rejeição ao presidente Michel Temer revelado por pesquisas (Pesquisa do Instituto Datafolha, divulgada anteontem, mostrou que o governo foi considerado “ruim ou péssimo” por 70% dos entrevistados). Para Maia, o problema se deve ao fato de a proposta ser um tema polêmico.

“O problema da reforma é o tema da Previdência, que é polêmico. Tem que esclarecer para a sociedade. Não tem relação com rejeição ou não do governo. A sociedade conseguindo entender que ela é fundamental, a sociedade vai ajudar”, declarou Maia ao deixar o Supremo Tribunal Federal (STF), onde participou da sessão de abertura do ano no Judiciário

Ao lado de Maia, o presidente do Senado, Eunicio Oliveira (PMDB-CE), não emitiu qualquer declaração. O peemedebista tem sido pressionado pelos deputados a dar uma declaração forte de que vai pautar a reforma no Senado, após ela ser aprovada na Câmara. Deputados temem sofrerem o desgaste de votar um tema polêmico, sem que ele também seja votado pelos senadores.

Fonte: Fonte: Jornal do Commercio

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