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Temer promete estabilidade

25 de janeiro de 2018

Para uma plateia esvaziada, a ponto de a organização do evento ter colocado biombos escondendo parte das fileiras vazias, o presidente Michel Temer discursou ontem (24) no encontro anual do Fórum Econômico Mundial em Davos e expôs sua agenda de reformas sob o mote O Brasil está de volta.

Na primeira participação de um presidente no fórum desde 2014, quando Dilma Rousseff esteve presente, Temer falou da melhora do investimento direto – pela projeção da Fazenda, foram US$ 75 bilhões no ano passado e devem ser US$ 80 bilhões neste ano –, da queda do risco-país para abaixo de 300 pontos, do superávit comercial e da contenção da inflação.

E teve uma recepção amigável – laudatória – do evento que reúne a elite do liberalismo mundial. “O Brasil superou uma crise econômica sem precedentes”, disse o fundador e presidente do fórum, Klaus Scwab, ao apresentar Temer. “Um novo Brasil, aberto, emerge com as reformas do presidente Temer. (Reformas que) reconstruíram os contratos sociais nacionais ao mesmo tempo em que integraram o Brasil à economia mundial.”

O presidente brasileiro ressaltou o curto período que teve para empreender as transformações. “É uma agenda de reformas reconhecida como a mais abrangente implementada no Brasil em muito tempo”, afirmou. E tentou dissipar o principal temor nos corredores: “Muitos estão perguntando se nossa jornada não estaria ameaçada pelas eleições que se aproximam. Deixem-me dizer: nós completaremos nossa jornada”.

No discurso, em que se propôs a explicar a investidores, empresários, executivos e lideranças globais, Temer registrou a herança de crise e disse ter rejeitado atalhos populistas.

A fala, de cerca de 15 minutos, foi estruturada no que Temer chamou de cinco pilares de suas reformas: responsabilidade, diálogo, eficiência, racionalidade e abertura.

A velocidade de implementação das reformas em um ano eleitoral é o principal ponto de interesse dos investidores e economistas interessados no Brasil, e o motivo maior do recente rebaixamento da nota do Brasil pela agência de classificação de risco Standard & Poor’s.

Temer deixou para falar apenas no trecho final e de forma vaga da reforma da Previdência, parcialmente dissolvida e cuja votação no curto prazo ainda é incerta, e destacou a reforma trabalhista, dizendo que esta trouxe o Brasil ao século 21.

Destacou, também, avanços no setor de petróleo e gás – energia é o principal tópico de sua agenda em Davos – e fez um contraponto ao discurso do presidente dos EUA, Donald Trump, que se apresenta em Davos amanhã. “Vivemos em um mundo em que ganham força tendências isolacionistas. Sabemos, porém, que o protecionismo não é solução. Quando nos fechamos em nós mesmos, nos fechamos a novas tecnologias, a novas ideias, a novas possibilidades”, afirmou.

Mais vazia que a plateia do discurso do premiê indiano, Narendra Modi, que teve fila de espera, a audiência de Temer era formada em boa parte por brasileiros.

PREVIDÊNCIA

O presidente Michel Temer e os ministros Eliseu Padilha, da Casa Civil, e Carlos Marun, da Secretaria de Governo, divulgaram ontem vídeos nas redes sociais em razão do Dia do Aposentado. Temer e seus ministros aproveitaram a ocasião para pedir apoio para aprovação da reforma da Previdência. Ao defender a necessidade da reforma, Temer argumentou que “se não fizermos hoje uma readequação previdenciária você vai ter prejuízo”.

O ministro Eliseu Padilha, por sua vez, afirmou que sem a reforma, o dinheiro destinado a outras áreas importantes será redirecionado para o pagamento de aposentadorias.Ele pediu ajuda aos aposentados para que influenciassem seus representantes políticos favoravelmente à reforma.

O ministro Carlos Marun seguiu a linha do discurso de Temer e Padilha. Lembrou que em alguns Estados a aposentadoria não está sendo paga pontualmente.

Dos 308 votos necessários para aprovação da reforma da Previdência na Câmara dos Deputados, o governo tem 275, nas contas do relator da reforma deputado Arthur Maia (PPS-BA). “Nós teremos esse número seguro ainda no mês de fevereiro, colocaremos em votação e seremos vitoriosos”, disse.

Também ontem a página @palaciodoplanalto no Facebook passou a exibir um post com o texto: “Escolha como você vai entrar pra história. Apoie a Nova Previdência e garanta a aposentadoria para todos. Reforma Já!” Acompanha o post uma imagem em que se lê: “A geração que salvou a aposentadoria”, em amarelo, e “A geração que deixou o país quebrar”, em vermelho.

Fonte: Fonte: Jornal do Commercio

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