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Temer admite possível derrota

23 de janeiro de 2018

Mesmo com uma ala próxima do presidente Michel Temer já admitindo que a votação da reforma da Previdência pode ficar para depois das eleições, o próprio presidente relatou a interlocutores diretos neste fim de semana que é melhor votar em fevereiro “mesmo que para perder”. O governo sabe que não tem ainda os 308 votos necessários para aprovar a matéria, que tem previsão de ir a votação no dia 19 de fevereiro. A avaliação de Temer é que os deputados vão ser cobrados pelo seu posicionamento perante o tema e que é preciso que eles “mostrem a cara”.

De acordo com um auxiliar do presidente, a determinação do governo em votar mesmo para perder fará ainda com que os pré-candidatos – como Geraldo Alckmin – pressionem seus partidos para votarem a favor do texto.

No fim do ano passado, Temer ensaiou o discurso que adotará caso a matéria não seja aprovada. Dirá que “fez sua parte” e que os parlamentares é que serão culpados pela continuidade de crise.

Deputados de partidos da base governista, no entanto, não estão tão seguros quanto à interpretação popular sobre as mudanças na Previdência. Para eles, ao contrário do que diz o Palácio do Planalto, a população resiste à reforma e admitem que essa pressão tende a pesar no voto caso o tema seja colocado em votação no plenário da Câmara em fevereiro. “O povo não está convencido e a gente tem medo de ser execrado pelo eleitor”, afirmou o deputado José Carlos Araújo (PR-BA).

Segundo os parlamentares, a propaganda a favor do texto é deficiente e, embora os esclarecimentos tenham ficado mais “didáticos”, o governo perdeu a batalha inicial da comunicação.

“Ficou na cabeça das pessoas que o texto é contra o povo”, disse o deputado Marcelo Castro (MDB-PI).

Deputados afirmam que, para alguns eleitores, o sistema se tornou insustentável por causa da corrupção. “O fato de (o governo) estar envolvido em coisa errada, deslegitima até medidas acertadas”, disse Marcos Rogério (DEM-RO). Um dos vice-líderes do governo na Câmara, o deputado Rogério Rosso (PSD-DF) considera que o Executivo errou ao produzir um texto inicial “muito duro” e ao eleger os servidores como foco de privilégios que a reforma pretende atacar. “Foi um tiro no pé.”

Fonte: Fonte: Jornal do Commercio

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