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Maia: reforma é difícil, mas viável

15 de janeiro de 2018

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), admitiu ontem em Nova Iorque que será muito difícil, mas ainda viável, aprovar a reforma da Previdência. Por outro lado, ele acredita que a piora das contas públicas dos Estados pode facilitar a obtenção dos votos necessários. “Sempre fui muito realista. O governo saiu de uma base de 316 deputados no fim de 2016 para terminar, após a segunda denúncia contra o presidente (Michel) Temer, com 250. É preciso recompor cerca de 70, 80 votos. A decisão do governo, depois da primeira denúncia, foi a de afastar quem não votasse a favor do presidente. Isso abriu um problema: como se faz agora para conquistar 308 votos? A reforma é urgente, precisa ser aprovada, mas, para isso, é preciso se reconstruir a base do governo tal como era para se ir ao plenário”, disse.

Ao ser perguntado se seria viável aprovar a reforma em fevereiro, Maia respondeu: “Construir uma base sólida de pelo menos 320, 330 deputados não será fácil, vai precisar de muito diálogo e do envolvimento de outros políticos, inclusive dos governadores. Afinal, eles serão beneficiados. Este ano, cinco Estados não conseguiram pagar o décimo terceiro do funcionalismo, este número aumentará no ano que vem se a reforma não for aprovada. É viável com a ajuda dos governadores. E não adianta vir tentar negociar soluções para fluxo de caixa a curto prazo, temos de reestruturar as contas públicas brasileiras já”.

Perguntado sobre o estranhamento que teve com o ministro Henrique Meirelles (Fazenda) após o rebaixamento da nota do Brasil pela agência de classificação de risco Standard & Poor’s na semana passada, Maia defendeu o Parlamento: “O Congresso votou matérias que todos consideravam praticamente impossíveis, como a reforma trabalhista. O governo encaminhou uma reforma tímida, com apenas cinco artigos, nós mudamos pelo menos cem artigos. Estamos colaborando muito com a agenda de reformas da economia brasileira, com a terceirização, com o projeto do pré-sal, com a recuperação fiscal dos Estados. Não pode parte do governo transferir para o Congresso uma responsabilidade que não é nossa. Em julho, a gente aprovaria a Previdência. O que não é justo e não é bom para a reforma é esse jogo de que não sou culpado, você não é culpado, porque todos estamos com o mesmo objetivo, que é reformar o Estado brasileiro.”

Maia negou que seja pré-candidato à Presidência da República. Segundo ele, no momento, sua última preocupação são as eleições e a viagem aos EUA, agendada havia meses, nada tem a ver com uma possível campanha para alavancar seu nome ao pleito. “Eu não estou preocupado com eleição. Se eu estivesse, estaria ouvindo muitos dos meus amigos dizendo que eu não deveria manter a votação (da reforma da Previdência). Minha preocupação com as eleições neste momento é nenhuma”, afirmou.

Hoje Rodrigo Maia terá uma reunião no início da tarde com o Secretário-Geral da Organização das Nações Unidas, o português António Guterres, quando tratará, entre outros temas, da questão que envolve refugiados da Venezuela no Brasil e o interesse da ONU de que tropas brasileiras sejam enviadas à África. Em seguida, Maia embarca para Washington, onde participará de eventos amanhã.

TEMER

Já em Brasília, Temer reservou a manhã de ontem para discutir o cenário econômico do País com alguns ministros, no Palácio do Jaburu. Estavam presentes Meirelles, Moreira Franco (Secretaria-Geral), Torquato Jardim (Justiça) e Gustavo Rocha (interino da Casa Civil).

Segundo a assessoria de imprensa da Presidência, foram debatidas medidas adotadas para reduzir a inflação, a recuperação da economia, a necessidade de contenção de gastos, a reforma da Previdência e ações para gerar empregos.

Em uma rede social, Temer destacou que, antes da reunião, ele e os ministros caminharam do Palácio do Jaburu até o Alvorada, cerca de 1,5 quilômetro.

Fonte: Fonte: Jornal do Commercio

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