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Governo aposta em pressão para virar votos

6 de dezembro de 2017

O governo aposta na pressão externa para convencer deputados que hoje são contra a reforma da Previdência a mudar seus votos até a semana que vem, quando espera votar a proposta em primeiro turno na Câmara. Aliados do presidente Michel Temer avaliam que já surte efeito a estratégia de prometer R$ 3 bilhões a municípios, caso a reforma seja aprovada.

Deputados começaram a receber pressão de seus prefeitos. “Só hoje, recebi ligação de três prefeitos pendido para votar favoravelmente à reforma”, afirmou o deputado Mauro Pereira (PMDB-RS). Um desses prefeitos foi Adelar Loch (PMDB), de Coronel Pilar (RS). “Alguém tem que assumir a bronca, tomar a responsabilidade. Vou ligar para nossos deputados. Os municípios estão numa situação complicada. Essa liberação (dos R$ 3 bilhões) ajuda bastante”, disse o prefeito.

Apoiadores da reforma no Congresso também acreditam que a posição favorável ao texto de entidades patronais, como a Confederação Nacional da Indústria (CNI), pode ajudar a virar votos. Mas governistas admitem que não dá para cantar vitória. Contabilizam 266 votos, ainda bem abaixo dos 308 necessários para aprovar uma proposta de emenda à Constituição (PEC).

Há quem desconfie, inclusive de que o apelo dos prefeitos pode não surtir efeito sobre os deputados que hoje são contra a reforma. “Prefeito oferece apoio pra todo mundo e não trabalha pra ninguém, com poucas exceções. Quem acredita em prefeito está fodido”, disse o presidente do Solidariedade, deputado Paulinho da Força (SP).

Aliados do Planalto têm feito reuniões de avaliação recorrentes. Ontem, um grupo de peemedebistas reuniu-se em um restaurante em Brasília e, horas depois, juntou-se a outros governistas para novo encontro. Uma reunião com o presidente Michel Temer será realizada hoje para contabilizar votos e definir a data da votação. O governo calcula que faltam 56 votos para alcançar o mínimo de 308 que são necessários. O Planalto espera fechar essa conta até o fim desta semana para que a proposta comece a ser discutida pelos deputados já na próxima segunda-feira.

Temer acertou com lideranças governistas e com o relator da reforma, deputado Arthur Oliveira Maia (PPS-BA), um esforço na busca pelos votos restantes. Apesar de o governo precisar de 308 votos para aprovar a reforma, governistas dizem, porém, que só querem votar a proposta quando tiverem cerca de 330 votos garantidos. “Hoje temos 252 votos a favor e 140 indecisos”, disse Darcísio Perondi (PMDB-RS), vice-líder do governo na Câmara e um dos responsáveis por calcular os votos.

Ontem, Temer disse que o governo não colocará o texto em votação se os partidos da base não garantirem votos suficientes para aprová-lo. “Acho que vai ser agora pelo que estou sentindo. Estou animadíssimo”, disse em evento no Itamaraty. A expectativa é que Rodrigo Maia marque a votação em primeiro turno para a semana que vem. Aliados de Temer querem deixar que Maia tenha protagonismo na definição de datas e tomam todo cuidado ao comentar questões que são prerrogativas dele para não irritá-lo. Além disso, o Planalto quer colocar na conta do Congresso uma eventual derrota da nova Previdência.

Fonte: Fonte: Diario de Pernambuco

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