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Temer discute aliança para 2018

4 de dezembro de 2017

O presidente Michel Temer decidiu articular pessoalmente a formação de um bloco para disputar as eleições de 2018 e reuniu ontem alguns dos presidentes de partidos do Centrão para discutir o cenário político e a possibilidade de ter um candidato apoiado pelo governo na disputa do próximo ano. Segundo a reportagem apurou, Temer falou da necessidade de siglas como DEM, PSD, PP, PR, PRB e PTB – todos com representantes presentes no almoço do Palácio da Alvorada – se organizarem e se fortalecerem como um bloco de centro-direita capaz de lançar ou apoiar um nome para tentar furar a polarização entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Jair Bolsonaro (PSC), hoje líderes das pesquisas da corrida presidencial de 2018.

A ideia inicial de Temer é deixar de fora da aliança o PSDB do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin. O presidente está irritado com a postura pouco assertiva dos tucanos em relação à votação da reforma da Previdência, por exemplo. O partido até agora não se comprometeu a votar em peso a favor das mudanças. Em represália, Temer não convidou nenhum representante do PSDB para o encontro.

Assessores de Temer, porém, afirmam que o apoio a Alckmin em 2018 não está completamente descartado, caso um candidato apoiado pelo governo não deslanche nas pesquisas até março. O mais cotado para o posto hoje é o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, que tem cerca de 2% das intenções de voto, segundo o Datafolha.

De acordo com participantes do almoço, o presidente e seus aliados discutiram a necessidade desses partidos de centro, ao lado do PMDB, continuarem apoiando a agenda de reformas do governo, diante da análise de que só ela será capaz de consolidar a melhora na economia nos três primeiros meses do ano que vem. A aposta do Planalto é de que os bons índices econômicos do primeiro trimestre podem fortalecer um candidato comprometido com a agenda de reformas econômicas.

Temer convidou para o almoço no Alvorada o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), o presidente do PSD, Gilberto Kassab; do PRB, Marcos Pereira; do PP, Ciro Nogueira; do PTB, Roberto Jefferson; e um representante do PR, enviado por Valdemar Costa Neto, o ministro Maurício Quintella (Transportes). O presidente quis saber sobre a expectativa de votação da reforma da Previdência. Para ele, a medida seria uma alavanca para esse bloco de centro que ele idealiza como capaz de liderar o processo eleitoral do ano que vem.

À noite, Temer e Maia reuniram os líderes da base na residência oficial do presidente da Câmara para mapear os votos e fazer um apelo para que a votação ocorra ainda esse ano. (Folhapress)
 
Presidente faz apelo a aliados por reforma
 
O presidente Michel Temer fez ontem um apelo a presidentes de partidos da base aliada pela aprovação da reforma da Previdência ainda neste ano, sob o argumento de que, sem ela, o país não conseguirá retomar o crescimento econômico. O governo não tem os 308 votos necessários para que a proposta passe na Câmara, mas a avaliação é a de que todo esforço precisa ser feito agora porque, se nada for votado até o dia 15, será quase impossível aprovar algo no ano eleitoral de 2018.

Em jantar na residência oficial do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), Temer admitiu as dificuldades para fazer as mudanças na aposentadoria e os problemas na comunicação da proposta. Em almoço no Alvorada, o presidente já deixou acertado que fará uma nova reunião quarta-feira à noite com presidentes de partidos e líderes da base para avaliação melhor se será possível ou não colocar a reforma da previdência em votação na próxima semana. Participaram do um almoço os ministros Moreira Franco (Secretaria-Geral), Maurício Quintella (Transportes), Marcos Pereira (Indústria e Comércio), Gilberto Kassab (Ciência e Tecnologia). Além disso, estiveram presentes o senador Ciro Nogueira (PP-PI), o presidente nacional do PTB, Roberto Jefferson e o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ). 

Mesmo diante das evidências cada vez mais claras em torno da dificuldade de aprovação da reforma da Previdência ainda este ano, auxiliares do presidente dizem que o governo não tem razões para jogar a toalha e que vai continuar empenhado para conseguir os 308 votos para que a proposta avance ainda em 2017. O calendário curto é o principal adversário e o objetivo é votar o texto, “pelo menos” no primeiro turno, até o dia 13. A depender do resultado, o governo vai intensificar as negociações “com todas as forças” para a matéria ser votada no segundo turno até o dia 20.

Auxiliares do presidente reconhecem a dificuldade em conseguir votos, mas reiteram que o governo vai investir o máximo de energia nas articulações das próximas duas semanas. O discurso do Planalto da necessidade da reforma tem sido repassado aos parlamentares neste trabalho de convencimento. Sem a aprovação da reforma da Previdência, as áreas de saúde e educação deixarão de receber recursos, gradativamente, nos próximos anos. A estimativa é que em 2028 o governo não terá mais como pagar os gastos de custeio nem fazer investimentos nessas áreas. (AE) 
 
Previdência movimenta Câmara esta semana
 
A reforma da Previdência é o principal tema em debate na Câmara dos Deputados nesta semana, uma das últimas da sessão legislativa. Enquanto os aliados do governo, favoráveis à aprovação da reforma neste ano, continuam insistindo no convencimento dos deputados para votar a favor da reforma, os contrários à proposta atuam em caminho diverso. Mesmo os governistas têm afirmado que ainda não contam com os 308 votos necessários para aprovação de proposta que altera as regras do sistema previdenciário.

Na semana passada, o deputado Beto Mansur (PRB-SP), um dos principais articuladores do governo, montou uma estratégia envolvendo lideranças aliadas de mais de 20 estados para ajudá-lo no convencimento e, também, na contagem dos votos dos deputados que apoiam a aprovação da reforma. 

Partidos de oposição e centrais sindicais contrárias à aprovação da reforma trabalham para a rejeição da matéria. Também na semana passada, os presidentes das principais centrais sindicais do país se reuniram com o presidente da Câmara, deputado Rodrigo Maia, e pediram o adiamento da votação para o ano que vem. Maia, responsável por pautar a votação da PEC, tem afirmado que só colocará a matéria em votação quando houver garantia de votos suficientes para aprová-la. Ele já admitiu que, se não for possível aprovar este ano, a votação poderá ficar para depois do carnaval. Mesmo assim, ontem, o policiamento foi reforçado na frente da casa de Maia por conta de um protesto contra a reforma da Previdência.

Fonte: Fonte: Diario de Pernambuco

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