Marca SINDIFISCO Sindicato dos Auditores Fiscais e Julgadores Tributários de Pernambuco

Notícias

Bird sugere tributar aposentadoria alta

22 de novembro de 2017

O Banco Mundial (Bird) defendeu que o Brasil passe a tributar as aposentadorias de alta renda, uma de muitas sugestões contidas em um amplo relatório sobre eficiência e equidade do gasto público no País. O trabalho, encomendado à instituição pelo governo, conclui que boa parte dos programas existentes no País não atinge seus objetivos, pois consome parcela expressiva do Orçamento e não chega necessariamente aos mais pobres. O relatório, intitulado Um Ajuste Justo – propostas para aumentar eficiência e equidade do gasto público no Brasil, sugere uma série de mudanças na gestão do gasto público, começando pela reforma da Previdência e por mudanças na remuneração do funcionalismo, passando por revisões em programas sociais e de incentivo fiscal, que poderiam resultar numa economia de 8,36% do Produto Interno Bruto (PIB) até 2026.

Entre as sugestões, estão, por exemplo, a tributação de aposentadorias de trabalhadores de alta renda, a unificação de benefícios assistenciais, com fusão do Benefício de Prestação Continuada (BPC), da aposentadoria rural e do salário-família com o Bolsa Família, além da integração entre FGTS e segurodesemprego. O banco sugere ainda uma reforma de regimes de incentivo fiscal como o da Zona Franca de Manaus, o Inovar Auto e o Simples.

O documento alerta para o fato de que o Brasil precisa fazer uma revisão estrutural do gasto público se quiser assegurar o cumprimento da regra do teto (pela qual as despesas só podem crescer com base na inflação do ano anterior) e manter a recuperação da economia. “A menos que tais mudanças ocorram, o Brasil não conseguirá observar o teto de gastos e superar os riscos associados à incipiente recuperação atual, retornando, ao invés disso, a uma crise fiscal e macroeconômica”, diz o texto, que já começa com uma frase categórica: “O governo brasileiro gasta mais do que pode e, além disso, gasta mal. Esta é a principal conclusão deste estudo, que analisa as raízes dos problemas fiscais recorrentes do Brasil e apresenta opções para sua solução”.

O Bird destaca, por exemplo, que o sistema de Previdência Social é injusto. Um indicativo disso é que 35% do desequilíbrio entre as contribuições arrecadadas e os benefícios pagos (chamado pelo banco de subsídio previdenciário) serve para beneficiar os 20% mais ricos da população. Por outro lado, apenas 18% do subsídio financiam os 40% mais pobres. Por isso, segundo a instituição, é preciso rever as regras de aposentadoria. São elas que trariam a maior economia para as contas públicas.

O relatório afirma que a proposta de reforma da Previdência aprovada pela comissão especial da Câmara em maio, que já foi desidratada pelo governo para tentar viabilizar sua aprovação, teria potencial de reduzir o déficit pela metade, de 16% para 7,5% do PIB até 2067. Nos próximos 10 anos, ela traria um terço da economia fiscal exigida pelo teto dos gastos, atingindo 1,8% do PIB em 2026.

As alterações da reforma ainda não seriam suficientes para resolver o rombo previdenciário. Ainda seria preciso, futuramente, avançar em outras medidas. Entre elas, está a desvinculação dos benefícios do saláriomínimo, corrigindo os valores apenas pelo aumento do custo de vida.

Os autores apontam que também seria preciso atacar as desigualdades entre as regras para aposentadoria dos servidores públicos e dos trabalhadores do setor privado. O maior problema está dos servidores que ingressaram antes de 2003, e que hoje têm direito a se aposentar com paridade (direito de receber os mesmos aumentos de quem está na ativa) e integralidade (recebendo o salário mais alto da carreira). Como medida de reequilíbrio, o relatório sugere a tributação dos rendimentos previdenciários dos atuais aposentados e pensionistas de alta renda.

O Bird sugere ainda que o abono salarial poderia ser transformado num subsídio salarial pago ao empregador como um incentivo à contratação de indivíduos desempregados há muito tempo, ou pessoas em busca de um primeiro emprego no mercado de trabalho formal. O documento defende também a integração entre FGTS e o seguro-desemprego. Pela sistemática sugerida, os desempregados teriam acesso ao seguro somente após o esgotamento de seus saldos de FGTS.

Do lado dos incentivos fiscais, o documento afirma que seria preciso rever regimes como o da Zona Franca de Manaus e o Inovar-Auto, que, segundo o Bird, deveria “ser extinto ou, no mínimo reformado, para vincular o apoio a metas de exportação”.

Fonte: Fonte: Jornal do Commercio

Notícias