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A conta da política de renúncia fiscal do País
11 de outubro de 2017A União deixa de arrecadar em tributos mais da metade do que investe em infraestrutura, mostra relatório da Instituição Fiscal Independente (IFI), órgão vinculado ao Senado para monitorar contas públicas.
O IFI tem detalhado o que chama de “gastos tributários”, ou seja, renúncias tributárias que, na prática, funcionam como gastos indiretos. Um dos principais itens de renúncia em infraestrutura, a isenção de Imposto de Renda sobre rendimentos de pessoa física em caderneta de poupança custou ao erário R$ 7,8 bilhões.
É o equivalente a três quartos do que a Receita deixou de arrecadar na área de habitação, na qual a renúncia tributária representa mais que o dobro dos gastos diretos: 124%.
No total, o governo investiu diretamente R$ 49,305 bilhões em infraestrutura em 2016 e gastou outros R$ 25,219 indiretamente, em desonerações.
Apesar de proporcionalmente alto em relação aos gastos diretos, o gasto tributário total da área de infraestrutura em 2016 é inferior ao de funções sociais, como saúde (R$ 34 bilhões) e trabalho (R$ 40 bilhões).
Apenas na dedução de despesas médicas no IR de pessoas físicas, gastaram-se R$ 12 bilhões – quase o dobro do destinado a aquisições de remédios.
Em termos proporcionais, o gasto tributário nas áreas sociais representa pouco mais de um quarto dos gastos diretos: R$ 102,39 bilhões e R$ 387,662 bilhões, respectivamente.
Em ciência e tecnologia, o segundo setor com mais “gastos indiretos” da área de infraestrutura, o maior item (56%) foi a isenção do IPI para empresas de desenvolvimento ou produção de bens e serviços de informática e automação dos gastos: R$ 5,1 bilhões.
Desde 2007, quando começa a série de dados da IFI, os gastos diretos com infraestrutura têm se mantido em um patamar de 4% do gasto público federal.
Os R$ 49,305 bilhões destinados à rubrica representaram 0,8% do PIB, patamar semelhante ao de 2008 e 20% abaixo dos níveis de 1% apresentados de 2011 a 2015.
Transporte é a área que concentra a maior fatia dos gastos diretos, com 37,7% – os principais programas são construção de estradas federais pelo Dnit, e financiamentos no Fundo da Marinha Mercante.
O programa Minha Casa, Minha Vida, que a IFI classifica como da área de habitação, também apresentou forte queda, de R$ 23 bilhões em 2015 para R$ 8,2 bilhões em 2016.
Fonte: Fonte: Jornal do Commercio
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