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Leve alta e projeção otimista

7 de outubro de 2017

A inflação oficial do País parou de cair, mas deve encerrar 2017 no menor nível em quase duas décadas. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) fechou setembro com alta de 0,16% ou um percentual de 2,54%, se levarmos em consideração o acumulado em 12 meses – número maior que o registrado em agosto, 2,46%. Foi o primeiro avanço do índice desde setembro de 2016. Para analistas, os dados mostram que o efeito da safra recorde que derrubou os preços dos alimentos começou a perder força. Agora, os indicadores voltarão a subir até o fim do ano, quando a inflação costuma ganhar força.

Na passagem de agosto para setembro, os preços no País ficaram em média 0,16% mais caros, enquanto que no acumulado do ano ficaram 1,78% – ainda assim o menor percentual desde 1998. A alta foi causada principalmente pela inflação de 1,91% dos combustíveis, desaceleração frente ao avanço de 6,67% do mês anterior, mas ainda uma pressão sobre o número do mês. A categoria respondeu por mais da metade da composição do índice mensal. Mas o que surpreendeu mesmo foi o comportamento dos alimentos.

O mercado financeiro esperava que o IPCA de setembro ficasse praticamente estável, com alta de apenas 0,09%. Não estava na conta uma perda tão forte de intensidade da queda do grupo de alimentação, que é o mais importante para o cálculo da inflação, por pesar muito no orçamento das famílias brasileiras. Em setembro, a deflação dos alimentos chegou a 0,41%, quinto mês seguido de queda, porém menor do que a registrada em agosto (-1,07%) e também menos intensa que o esperado.

“Apesar de o grupo alimentos ter vindo com deflação, foi bem menor que a gente esperava. Esperávamos 0,72% de queda. Os produtos in natura surpreenderam mais. Boa parte por causa de legumes e de frutas. É um fenômeno que tem a ver com a seca dos últimos dois meses e já tinha aparecido nos índices de preços por atacado. O que surpreendeu foi a velocidade com que isso chegou ao varejo”, observa Luis Otavio Leal, economista-chefe do banco ABC Brasil.

Os dados mostram que alguns grupos de produtos inverteram o sinal no mês passado. As frutas, por exemplo, registraram alta de 1,74%, após terem recuado 2,57% em agosto. Já as carnes passaram de deflação de 1,84% para inflação de 1,25%. Em contrapartida, alimentos como tomate (-11,01%) e o alho (-10,42%) continuaram a dar alívio ao bolso do consumidor.

Nas contas da economista Mirella Hirakawa, do Santander, os alimentos consumidos em casa voltarão a ficar mais caros no fim do quarto trimestre. Ela estima que os produtos registrarão alta de 1,7% no período. Nos três meses encerrados em setembro, o grupo registrou queda de 3,4%. Nos dois primeiros trimestres do ano, as quedas de preço foram de 0,3% e 0,8%, respectivamente.

Para o ano que vem, a expectativa é de um comportamento menos favorável. A expectativa é que o clima que garantiu a safra recorde não se repita. “A Nooa (agência do governo americano que fornece dados meteorológicos) já tem mostrado que a probabilidade de uma la niña fraca é de mais de 50%, o que mostra que a gente pode ter um período mais seco no ano que vem”, destaca a analista.

Fonte: Fonte: Jornal do Commercio

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