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Estratégia está definida

19 de junho de 2017

O presidente Michel Temer realizou ontem mais uma reunião com seus principais ministros para tratar da preparação da viagem e desenhar a estratégia de ação enquanto estiver fora do País.

Compareceram ao Jaburu, residência oficial de Temer, os ministros da Casa Civil, Eliseu Padilha, da Secretaria-Geral, Moreira Franco, da Secretaria de Governo, Antonio Imbassahy, e do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), Sérgio Etchegoyen. No encontro ficou acertado que Moreira Franco não viajará com Temer, como estava previsto, e ficará em Brasília para ajudar na recomposição da base e reforçar a defesa do presidente caso surjam novos fatos.

A avaliação do governo é a de que as afirmações de Joesley contra Temer em entrevista à revista Época no fim de semana não surtiram efeito negativo na base parlamentar. Antes de embarcar para a Rússia, porém, Temer apresentará à Justiça as ações cível e penal contra o empresário.

No vídeo gravado ontem no Palácio da Alvorada e que será divulgado hoje nas redes sociais, Temer, sem citar diretamente o empresário Joesley Batista, sócio do grupo JBS/J&F, defende punição a quem cometeu crimes. Oficialmente, o material aborda a viagem do presidente, que buscará aprofundar relações comerciais. Segundo pessoas que acompanharam a gravação, Temer fala de encontros com o empresariado e com autoridades europeias e se compromete com as reformas que, segundo o governo, combatem privilégios. Mas o presidente se posiciona também, de maneira indireta, em relação à crise política em que seu governo está imerso.

O Planalto e aliados têm adotado a estratégia de desqualificar as acusações de Joesley. Ontem, o vice-líder do governo na Câmara, deputado Beto Mansur (PRB-SP), afirmou que a entrevista não trouxe nenhuma novidade. "Ele é um bandido confesso que tem credibilidade zero", afirmou Mansur. "Não podemos ficar presos a essa agenda de denúncias."

Aliados esperam que Rodrigo Maia, mesmo no exercício da presidência, reassuma o papel de articulador do governo e coordene a reunião de líderes. Os encontros estão esvaziados há cerca de um mês, desde a divulgação da delação de Joesley. Para o vice-líder do PMDB na Câmara, Carlos Marun (MS), agora "é um bom momento para retomar os votos para aprovar a reforma da Previdência". "Esse ritual tem de voltar", afirmou Beto Mansur.

Com Maia na Presidência da República, o comando da Câmara ficará com Fábio Ramalho (PMDB-MG), que é visto com desconfiança pelo governo após ter feito críticas às reformas e pressionar por cargos para o PMDB mineiro. Por isso, a pauta da semana na Casa foi preparada para evitar qualquer polêmica e não tem nenhum projeto de interesse do governo.

Fonte: Fonte: Jornal do Commercio

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