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Na contagem regressiva
6 de maio de 2017Diante da ameaça da reforma da Previdência ficar para o segundo semestre, devido ao conturbado cenário político em Brasília, o Palácio do Planalto planeja lançar todas as suas armas para manter o planejamento inicial. A ideia do governo era encerrar o mês de maio com uma vitória no plenário da Câmara. Porém, a invasão dos agentes penitenciários na sessão de quarta-feira passada da comissão especial, encerrando os debates, foi um sinal de alerta para o acirramento maior do debate. Até porque há uma resistência de parlamentares, inclusive de vários partidos da base, sobre a confecção da proposta que pretende alterar a legislação previdenciária.
Entre todos os projetos encaminhados pelo Palácio do Planalto à Casa esse parece ser o de maior risco de uma derrota, o que seria catastrófico para o presidente Michel Temer. O peemedebista sempre colocou na conta do sucesso da sua gestão a aprovação da mudança das leis previdenciárias e um resultado negativo seria um sintoma direto de que o governo não conseguiu dispersar a rebelião dentro da base aliada, temerosa com o preço que possa pagar nas eleições de 2018 em tomar uma posição tão impopular. Além do abalo moral, uma derrota no Congresso poderá significar rupturas definitivas entre parlamentares e governo, que já deu sinais de não aceitar traições.
Para diminuir os riscos, Temer lançou várias ofensivas para convencer os parlamentares a permanecerem fiéis ao governo e também tentar diminuir a resistência da população à proposta de reforma da Previdência. O governo prepara peças publicitárias em cima do relatório do deputado Arthur Maia (PPS-BA), aprovado quarta-feira passada – faltam ainda votar dez destaques na próxima terça-feira.
A greve geral de 28 de abril, contra as reformas trabalhista e previdenciária, superou os movimentos pelo impeachment da presidente Dilma Rousseff em volume de menções na internet, segundo relatório da Fundação Getulio Vargas (FGV). A pesquisa do Instituto Datafolha também apontou que sete em cada 10 brasileiros são contrários à reforma previdenciária – 71%. Entre os funcionários públicos, a rejeição chega a 83%.
Para garantir os 308 votos necessários à aprovação da reforma no plenário, o governo negocia também com ruralistas um programa de parcelamento (Refis) de 15 anos para dívidas em atraso da contribuição ao Fundo de Assistência ao Trabalhador Rural. Governistas admitem ainda negociar no plenário flexibilizações nas regras para que os servidores públicos que ingressaram até 2003 tenham direito ao salário integral. Os negociadores do governo também estão mapeando pleitos dos deputados, além da articulação na distribuição de cargos.
Fonte: Fonte: Diario de Pernambuco
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