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Ação de Renan atrasa a reforma
4 de maio de 2017Um acordo que contou com a articulação de Renan Calheiros (PMDB-AL), líder do PMDB no Senado, atrasará em pelo menos um mês a votação da reforma trabalhista no plenário da Casa. Vicepresidente do Senado, Cássio Cunha Lima (PSDB-PB) reviu sua previsão inicial e disse ontem que a tramitação levará de 45 a 60 dias após a inclusão de mais um colegiado para a discussão da pauta. A conta inicial do governo Michel Temer era que o texto fosse aprovado em até 30 dias.
A declaração de Cunha Lima ocorreu horas após o presidente do Casa, Eunicio Oliveira (PMDB-CE) em licença médica, autorizar acordo com a oposição a Temer para que a reforma passasse, sem regime de urgência, também pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), além da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) e da Comissão de Assuntos Sociais (CAS). Inicialmente, líderes do Senado decidiram, em reunião sem Renan na terça-feira (3), que a reforma passaria apenas pela CAE e pela CAS, para acelerar a tramitação do texto.
O peemedebista, porém, atuou para que a reforma tramitasse também pela CCJ, presidida pelo senador Edison Lobão (PMDB-MA), seu aliado. A medida representa um risco ao governo, visto que o relator no colegiado para a proposta será indicado com influência do atual líder do PMDB, publicamente contrário às reformas trabalhista e da Previdência.
A postura de Renan fez com que o Planalto avaliasse que sua situação como líder do PMDB no Senado chegou a um nível insustentável, segundo um aliado de Temer. Na avaliação de auxiliares do presidente, o quadro chegou ao limite após o discurso do peemedebista contra a reforma trabalhista, na semana passada, somado à atuação do senador para que a proposta passe por mais uma comissão no Senado, sem regime de urgência, atrasando, assim, a tramitação do texto.
No fim da manhã de ontem, Renan se reuniu com o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), e disse que era fundamental que a reforma trabalhista passasse pela CCJ.
Pouco depois, Cássio Cunha Lima telefonou ao senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) e sugeriu o acordo: a reforma trabalhista passaria por CCJ, CAS e CAE, desde que a oposição desistisse de votar requerimentos em plenário para que, além da CCJ, fosse incluída a Comissão de Direitos Humanos. Randolfe conversou com Renan e senadores do PT, que sinalizaram aceitar a proposta de três comissões, não quatro.
"O papel do Renan tem sido assegurar que o rolo compressor do governo enganche", disse Randolfe.
Em rota de colisão pública com o governo Temer, Renan viu ontem uma articulação de colegas de bancada para tirá-lo da liderança do partido no Senado. Nove senadores do PMDB, entre eles Jucá, reuniram-se reservadamente para discutir a situação de Renan.
Fonte: Fonte: Jornal do Commercio
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