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Rombo dos fundos de pensão chega a R$ 70,6 bi
24 de abril de 2017Os fundos de pensão fecharam 2016 com rombo de R$ 70,6 bilhões, segundo levantamento da Superintendência Nacional de Previdência Complementar (Previc), o xerife do setor. Embora seja 10% menor do que o verificado no ano anterior (R$ 77,8 bilhões), o que tem deixado os participantes preocupados é a rápida velocidade de expansão do déficit do sistema. Em 2012, era de R$ 9 bilhões, subiu para R$ 21 bilhões no ano seguinte e terminou em R$ 31 bilhões em 2014.
Um plano de aposentadoria registra déficit quando os ativos não são suficientes para pagar os benefícios previstos até o último participante vivo do plano. A nova regulação não exige o equacionamento de todo o déficit. A norma em vigor permite que planos com população mais jovem tenham mais tempo para administrar os desequilíbrios. Para cobrir o déficit, participantes e patrocinadores precisam injetar mais dinheiro nos planos por meio de contribuições extras.
Fundo de pensão é uma poupança formada por trabalhadores de uma mesma empresa com a finalidade de complementar a aposentadoria. O dinheiro é gerido por um colegiado com representantes indicados pelas empresas e pelos trabalhadores. Os maiores fundos são de empresas estatais, criados há mais tempo.
Dez planos concentram 88% do déficit de todo o sistema. Dos maiores, apenas a Previ (dos funcionários do Banco do Brasil) já informou que fechou 2016 com superávit de R$ 2 bilhões. Os balanços da Petros (Petrobras), Funcef (Caixa) e Postalis (Correios) ainda não foram divulgados, mas a reportagem apurou que o déficit das três fundações, somado, deve ultrapassar R$ 30 bilhões. Entre participantes que ainda estão trabalhando, dependentes e assistidos, as três têm mais de um milhão de associados.
O novo diretor-superintendente da Previc, Fábio Coelho, afirma que o “ápice” do déficit do segmento foi verificado em dezembro de 2015, quando bateu na ordem de 9% do total dos ativos. “A tendência é que nos próximos meses teremos uma redução maior”, afirma, em sua primeira entrevista exclusiva. Os elementos que devem contribuir para essa reversão, segundo ele, são a inflação mais controlada, a retomada da atividade e comportamento mais benigno da Bolsa. “Nossa expectativa é que 2016 seja um ano de transição tanto do ponto de vista da mudança da supervisão como também da retomada dos ativos”, diz.
Coelho afirma que grande parte dos rombos nos últimos anos teve origem em “agendas econômicas”: “Ao mesmo tempo em que o passivo aumentou por causa da longevidade e por pressões inflacionárias, tivemos também uma redução dos ativos em razão da recessão econômica e de investimentos não “performados.’”
Conselheiros que representam os participantes, porém, afirmam que os prejuízos também foram causados por investimentos que eram considerados apostas nos governos Lula e Dilma, como Sete Brasil, Invepar e Oi. Na visão deles, os governos anteriores pressionaram as entidades a dividir o risco desses projetos e deixaram aos participantes os prejuízos.
Fonte: Fonte: Diario de Pernambuco
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