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Brasileiro estagnado na crise
22 de março de 2017Pela primeira vez na série histórica, o Brasil ficou estagnado no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). Relatório das Nações Unidas divulgado ontem revela que o País alcançou o indicador 0,754, de uma escala de 0 a 1, o mesmo obtido no ano anterior. Para a coordenadora do Relatório de Desenvolvimento Humano Nacional, Andréa Bolzon, o desempenho brasileiro é reflexo da crise econômica que o País já enfrentava em 2015, ano da coleta dos dados do relatório.
Com o desempenho, o País se mantém na 79ª posição no ranking, empatado com a Ilha de Granada. A Noruega, primeira da lista, alcançou o IDH 0,949. A pior colocação foi da República CentroAfricana, com 0,352. Ao todo, participam do ranking 188 países e territórios. "São poucos os países que ficam estagnados ou caem no desempenho do IDH. A tendência é de todos avançarem de um ano para o outro".A queda de IDH foi registrada sobretudo em países que enfrentaram condições adversas. Foi o caso, por exemplo, da Síria.
A pesquisadora observa, por exemplo, que entre 2014 e 2015 a pobreza no Brasil aumentou,rompendo um ciclo de queda identificado desde a década anterior. Dados indicam que, em 2015, 3,63% da população vivia em situação de extrema pobreza, com uma renda mensal per capita de até R$ 70. Naquele mesmo ano, 9,96% da população era classificada como vulnerável à pobreza, com rendimento de até R$ 140 reais por mês.
O desemprego, por sua vez, cresceu de forma expressiva neste mesmo período. Os mais afetados foram jovens. A taxa de desemprego entre 15 a 24 anos em 2015 era de 23,1%, bem acima dos 17% identificados em 2014. Em seguida, estavam as mulheres. O nível de desemprego entre mulheres cresceu de 8,9% para 11,8% no biênio 20142015, de acordo com dados da PNAD.
A análise dos dados mostra que o que levou o País a quebrar essa trajetória foi o padrão de vida. A renda nacional per capita foi de 14.145 P.P.P. (Paridade de poder de compra, uma medida internacional usada para permitir comparação entre diferentes moedas). Em 2014, a renda havia sido 14.858. O relatório mostra que, em 2015, a renda per capita na Turquia, por exemplo era de 18.705. Já o México era de 16.383 e o Chile, de 21.665.
Governo prevê melhora
O Palácio do Planalto atribuiu à crise econômica a estagnação do Brasil no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). É a primeira vez em 25 anos que o país estaciona no ranking medido pelas Nações Unidas. O governo Temer prevê um índice melhor no ano que vem, por conta de medidas de austeridade fiscal.
"Os dados divulgados pela agência da ONU ilustram a severidade da crise da qual apenas agora o País vai saindo", diz nota do Planalto, citando a crise econômica antes de o presidente Michel Temer assumir a Presidência após o impeachment da expresidente Dilma Rousseff, há dez meses. De 2011 a 2016, Temer era o vicepresidente da petista.
O governo também aproveitou para defender as reformas econômicas e projetou que os próximos indicadores internacionais devem ser melhores. As medidas tomadas recolocarão "o País nos trilhos", diz o texto. "O resultado do conjunto de transformações em curso sob a liderança do Presidente Michel Temer deve refletirse, ao longo das próximas edições do índice, em uma melhoria, tanto absoluta, como relativa de nosso número".
É a primeira vez desde 1990 que o Brasil estaciona no IDH. O país permaneceu em 0,754 entre 2014 e 2015, continuando na 79ª posição em um rol de 188 nações. O índice leva em conta indicadores de saúde, educação e renda.
Mais educadas e com renda menor
Quando o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) de 2015 é aberto por sexo, no Brasil as mulheres têm um indicador, o Índice de Desenvolvimento de Gênero, um pouco superior ao dos homens, 0,754 frente a 0,751, pois são mais escolarizadas e vivem mais. Apesar disso, a renda per capita do homem é 66,2% maior do que a da mulher de acordo com o estudo da ONU.
Quando a ONU avalia a desigualdade nas dimensões saúde produtiva, do empoderamento e da atividade econômica, formando o Índice de Desigualdade de Gênero, o Brasil ocupa a 92ª posição entre os 159 países para os quais o indicador foi calculado, com pontuação 0,414. Esse ranking é liderado pela Suíça, seguido de Dinamarca, Holanda, Suécia e Islândia. Os com pior índice são Iêmem, Niger, Chade, Mali e Costa do Marfim.
No Brasil, há 67 nascimentos a cada 1000 mulheres entre 15 e 19 anos, enquanto que a média do mundo cai para 44,7 partos. Quando se observa o número de assentos em parlamentos, no Brasil a incidência de mulheres cai pela metade, ocupavam 10,8% deles em 2015, enquanto no mundo a média era de 22,5%. Até no país com o menor IDH do mundo, a República Centro Africana, a representatividade das mulheres é maior no Congresso: ocupam 12,5% do total de assentos.
Desenvolvido há 26 anos, o IDH tem uma escala de 0 a 1. Quanto mais próxima de um, melhor a situação do país. As notas são dadas a partir da avaliação de três quesitos: saúde, educação e rendimento. Entre 1990 e 2015, a média de crescimento do IDH brasileiro foi de 0,85% ao ano.
Nos outros quesitos do IDH, o País apresentou uma discreta melhora. A expectativa de vida (usada para medir o desenvolvimento na área de saúde) foi de 74,7 anos. Mais do que os 74,5 indicados em 2014. Na área de conhecimento, o Brasil obteve um pequeno avanço na média de anos de estudo. Passou de 7,7 em 2014 para 7,8 em 2015. Por outro lado, chama a atenção da estagnação de outra variante usada para avaliar o conhecimento, a expectativa de anos de estudo.
O IDH brasileiro está um pouco acima da média regional da América Latina e Caribe, que foi de 0,751 em 2015. Na comparação entre Brics, apenas a Rússia traz um IDH superior ao do Brasil: 0,804. China, África do Sul e Índia aparecem no ranking em posições abaixo do País, com indicadores 0,738, 0,666 e 0,624, respectivamente.
Fonte: Fonte: Jornal do Commercio
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