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Queda de 5,2% no PIB do Estado

26 de setembro de 2016

Mesmo já tendo caído 3,5% no ano passado, a economia pernambucana deve sofrer mais uma forte contração neste ano. A projeção é do Banco Santander, que estima um baque de 5,2% no Produto Interno Bruto (PIB) do Estado ao final de 2016. É a terceira maior queda entre os estados brasileiros, perdendo apenas para o Espírito Santo e o Amapá. O número também é bem maior que o projetado para o PIB nacional (-3,3%); mas, segundo especialistas, é justo e plausível.

Responsável pela pesquisa, o economista Rodolfo Margato, do Santander, revela que nenhuma unidade federativa vai escapar da recessão neste ano. Detentor da maior parte das empresas brasileiras, São Paulo, por exemplo, deve cair -2,7%. No Distrito Federal, a queda deve ser de -3%; e, no Rio de Janeiro, de -3,5%. Pernambuco, porém, foi mais afetado pela crise por conta da formação da sua indústria.

Margato explica que, apesar da economia brasileira continuar em recessão, alguns setores industriais já mostram sinais de recuperação. Há melhora, por exemplo, na produção de alimentos, sapatos, couros, celulose e na de bens de capitais, como máquinas e materiais elétricos. Muitas dessas indústrias ainda se beneficiam do câmbio favorável para a exportação e da substituição de produtos antes importados por produtos nacionais no ajuste de gastos propiciado pela crise econômica. Esses segmentos, porém, são mais representativos no Sul/Sudeste. É por isso que as menores quedas do PIB são de locais como Paraná (-2,4%) e Santa Catarina (-2,7%).

á as indústrias de construção civil, automobilística, siderurgia, metalurgia e petroquímicos seguem uma trajetória de queda, justamente as que mais pesam no PIB de Pernambuco. “Em outros estados, certas cadeias industriais amenizaram o resultado negativo da indústria. Mas, em Pernambuco e em outros estados do Nordeste, isso não aconteceu”, reconhece o economista do Santander, contando que, pelos cálculos setoriais, o PIB da indústria pernambucana deve cair 7,7% neste ano. O número é o segundo maior dos estados brasileiros e representa mais que o dobro da média nacional: 3,2%.

O baque, segundo Margato, reflete uma confluência de fatores negativos. “Pernambuco tem um dos casos mais emblemáticos do País de piora da construção civil. A queda no estoque de mão-de-obra empregada neste setor foi uma das mais expressivas dos últimos 12 meses, porque as grandes obras que impulsionaram o setor nos últimos anos sofreram uma paralisação em 2015 e 2016, a exemplo da Refinaria Abreu e Lima e das empresas satélites que se criaram ao seu redor e de outras obras de infra-estrutura [como a Transposição do Rio São Francisco]”, esclarece o economista do Santander, contando que, sozinha, a construção civil representa 8,8%do PIB pernambucano. “É mais representativo que no Brasil, mas é um setor frágil, que demora a se recuperar. Então, tem uma dinâmica desfavorável neste momento”, pontuou.

Não bastasse isso, a paralisação das obras da Refinaria Abreu e Lima gerou uma desarticulação da cadeia de óleo e gás e também dos fornecedores do empreendimento. Derrubando, então, a atividade de outros setores produtivos, como a metalurgia. Pernambuco ainda foi afetado pelo baixo desempenho da indústria automobilística, que retraiu em todo o Brasil por conta da queda nas vendas de veículos e representa parte importante da indústria pernambucana por conta do Polo Automotivo da Jeep, em Goiana.

Fonte: Fonte: Folha de Pernambuco

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