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Use com inteligência a restituição do IR

19 de setembro de 2016

O dinheiro das restituições do Imposto de Renda (IR), cujo quarto lote foi liberado nessa semana, representa um alívio para muitos brasileiros que estão com os orçamentos comprometidos. Na euforia do recebimento do ganho extra, é preciso cuidado para não sair gastando tudo de uma vez e perder a chance de organizar a vida financeira. Por isso, antes de decidir o que fazer com o dinheiro, independentemente do valor, é melhor considerar como ele pode ser utilizado de forma mais inteligente.

“Se a pessoa tem dívidas, essa deve ser a sua prioridade”, determina o economista e professor da Faculdade Guararapes (FG), Roberto Ferreira. Ele recomenda priorizar as contas mais caras, como cartões de crédito e do cheque especial, cujos juros anuais estão na casa dos 500%. É possível negociar ou até fazer o que os economistas chamam de “trocar uma dívida mais cara por outra mais barata.”Nesse caso, o consumidor contrata um empréstimo consignado, cujos juros são mais baixos (em média 3%) para cobrir o cartão de crédito. 

Mas, apenas trocar a dívida não resolve o problema totalmente, na avaliação do educador financeiro Reinaldo Domingos, autor do bestseller Terapia Financeira. “O contribuinte deve ter entender que tem a oportunidade de combater as causas das dívidas, e não apenas seus efeitos. Por isso, é preciso repensar seu custo de vida ou então estará aplicando um paliativo quando necessitaria de um tratamento intensivo”, argumenta.

Para quem não está endividado, o ideal é investir o dinheiro. “Se sobrou uma quantia no orçamento, o correto é se preparar para o futuro, até porque estamos próximos das despesas extras de fim de ano e do começo do ano, como presentes e pagamento de impostos”, lembrou Ferreira. O tipo de aplicação vai variar de acordo com o objetivo da economia, porém a primeira providência é tirar o dinheiro da conta corrente. “Se deixar na conta, ele pulveriza”, adverte Domingos.

Quando a intenção é guardar para uso no curto prazo, a caderneta de poupança pode ser a melhor escolha. “Um fundo de renda fixa, que chega a render mais de 11% ao ano (líquido), com taxa de administração anual menor que 1%, também representa uma boa opção. Se não vai usar em até dois anos, as aplicações em Tesouro Direto (rende 13% líquido ao ano) também são atrativas”, lista o professor Ferreira. A partir de R$ 100 é possível investir no Tesouro Direto. Outras aplicações conservadoras como Certificado de Depósito Bancário (CDB), Letras de Crédito Imobiliário (LCIs) ou Letras de Crédito do Agronegócio (LCAs) são mais rígidas quanto ao montante aplicado e ao período de resgate.

O investimento deve estar atrelado a uma meta ou um sonho para ser mais eficiente, na opinião de Domingos. “Para sonhos de longo prazo, algo muito distante, por exemplo, além do Tesouro Direto, é possível investir na previdência privada e em ações. Se a escolha for por ações, o melhor é investir, no máximo, 20% do dinheiro total para evitar risco extra”. Como uma dica de educação financeira, o especialista ainda recomenda sempre manter uma reserva extra para imprevistos, que pode ser uma poupança, além de evitar gastos impulsivos. “Manter a calma e ter objetivos é uma das chaves para manter as contas equilibradas”, ensina.

Fonte: Fonte: Folha de Pernambuco

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