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Brasileiros rejeitam a CPMF
13 de julho de 2016Apesar de estar na mira do Governo Federal desde o ano passado, ainda sob o Governo Dilma Rousseff, a Contribuição Provisória Sobre Movimentação Financeira (CPMF) só é compreendida de fato por um em cada três brasileiros. Em pesquisa da Confederação Nacional da Indústria (CNI), que ouviu mais de duas mil pessoas em143municípios, apenas 32%da população associa essa sigla a um tributo. A falta de conhecimento, entretanto, não diminui a impopularidade da proposta de recriação do chamado “imposto do cheque” como uma forma de amenizar o rombo nas contas públicas da União. De acordo coma CNI, 73%dos entrevistados são contra a ideia de mais um imposto.
Segundo o gerente-executivo de Pesquisa e Competitividade da CNI, Renato da Fonseca, a alegação de que a cobrança aumentaria a arrecadação federal, ampliando os recursos da saúde e da previdência, não convence a população de que a CMPF pode ser positiva, pois os brasileiros não aguentam pagar tantos impostos.
“A população não quer mais aumento de tributos. A insatisfação com a carga tributária e a qualidade dos serviços públicos está clara em toda a pesquisa. Quase metade da população diz que é preciso mais recursos para esses serviços. Porém, quando colocamos que esses recursos serão tributos, quase a unanimidade diz que não”, contou Fonseca, destacando que 81% dos entrevistados afirmou acreditar que o governo já “arrecada muito”, por isso não precisa aumentar mais impostos para melhorar os serviços públicos oferecidos.
Para 70% dos pesquisados, a baixa qualidade dos serviços públicos é resultado do mau uso dos recursos públicos, e não da falta deles. É por isso que após ouvir a definição de CPMF, 66% dos entrevistados declararam que este é um imposto injusto porque afeta as pessoas independentemente de seu nível de renda. Outros 59%acrescentaram que o retorno da taxa aumentaria o preço dos produtos. Seis em cada dez entrevistados ainda concluíram que a recriação da CPMF não iria melhorar a vida dos brasileiros.
“A população acha que os tributos atuais são suficientes para gerar serviços de qualidade e percebeu que isso é um problema de gestão. Por isso, acha que o governo não precisa aumentar os impostos, mas ser mais eficiente, fazendo boas escolhas e combatendo a corrupção, para que o recurso não seja desviado de seu fim”, revelou. É por isso que, para Renato da Fonseca, qualquer nova taxa seria recusada pela população, não só a CPMF.
PRIVATIZAÇÃO
Para a população, a reparação do rombo fiscal também é de responsabilidade do Governo Federal. Ao serem questionados sobre a melhor solução para os déficits registrados em 2014 e 2015, nada menos do que 80%dos entrevistados afirmaram que é preciso reduzir os gastos públicos, que vêm aumentando muito nos últimos anos na visão de 85% da população. “O povo vê que paga muito imposto e não tem um retorno. Por isso, agora quer que o Governo corte na própria carne”, explicou.
Fonseca ainda contou que, para os 15% que afirmaram que o Governo não precisa reduzir os gastos, a CNI apresentou três alternativas possíveis para o déficit – aumento da dívida pública, criação de novos impostos e venda ou concessão de bens e empresas públicas para a iniciativa privada. Dessas, a concessão foi amais citada: 42%. Para a CNI, este é o início da discussão sobre a privatização, que, no entanto, não é suficiente para acabar como problema fiscal.
Fonte: Fonte: Folha de Pernambuco
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