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Devedor quer ficar longe de novo
12 de julho de 2016O número de consumidores inadimplentes que não pretendem realizar novas compras após quitar as dívidas subiu oito pontos percentuais no segundo trimestre deste ano, atingindo a marca dos 84%. O resultado é da pesquisa Perfil do Consumidor Inadimplente da Boa Vista Serviço Central de Proteção ao Crédito (SCPC). O desemprego foi apontado como o principal motivo para o atraso no pagamento das contas. O estudo é realizado a cada três meses com cidadãos que possuem alguma dívida vencida ou não paga registrada no Banco de Dados da Boa Vista SCPC.
De acordo com o economista do órgão, Flávio Califi, a tendência é positiva, pois revela um perfil de consumidor mais criterioso. "Os consumidores estão cautelosos. Isso é reflexo do mercado de trabalho, que está muito pior que em 2015, da queda da renda e da alta dos preços. O que nos chamou a atenção é que as dívidas com contas de água e luz estão gerando inadimplência, o que indica um aperto no orçamento familiar", avalia. Segundo a Boa Vista SCPC, após três anos de estabilidade, a inadimplência dos consumidores deverá se elevar ao longo deste ano.
Gastos com o pagamento de contas diversas ¬ como as de educação e saúde ¬ seguidos das compras de itens de vestuário e calçados, são os principais causadores da inadimplência, ambos com 19% das menções dos entrevistados. Os gastos com contas de concessionárias (água, luz e gás) aparecem em terceiro lugar, com 17% das menções, o que representa um aumento de 2 pontos percentuais em comparação ao primeiro trimestre do ano.
"O controle orçamentário é o primeiro instrumento que deve ser utilizado. Então, quem está inadimplente deve entrar em contato direto com o credor para quitar o débito e, assim, conseguir melhores chances de negociação. É preciso ir para a conversa sabendo da situação financeira e expor isso ao credor para encontrar uma forma de pagar dentro da capacidade da sua renda", orienta Califi.
Dos inadimplentes, 42% afirmam que não conseguiram pagar as contas em dia em função do desemprego, um crescimento de 11 pontos percentuais, comparando com o segundo trimestre de 2015. O segundo motivo foi o descontrole financeiro, com 24% das menções.
Em relação ao valor devido nas contas em atraso, 34% dos inadimplentes dizem que não ultrapassa R$ 500. Para 16% deles, as contas vencidas já ultrapassam R$ 5 mil. De modo geral, considerando todas as dívidas mencionadas, o valor médio devido de abril a junho deste ano é de R$ 1,7 mil.
Quem entrou na lista dos mau pagadores não pretende crias novas dívidas. Esse é o caso da funcionária pública Maria Fabiana da Silva. Com uma renda mensal de R$ 5 mil, ela precisou cortar gastos com supérfluos, como lazer e vestuário, para tentar quitar o débito de R$ 8 mil dos cartões de crédito.
"Tenho três cartões de crédito e usei como parte da minha renda, utilizando quase todo o limite. Parei de comprar quando não consegui mais pagar as contas em dia. Agora, com o nome sujo, estou pagando a primeira negociação", explica. Maria Fabiana dividiu o valor em oito parcelas e, após pagar o que deve, não pretende voltar às compras.
"Não pretendo nem ter mais cartão para não correr o risco de me endividar. Aprendi que o cartão é um dinheiro virtual e não podemos contar com ele como parte da nossa renda", afirma a servidora.
Fonte: Fonte: Jornal do Commercio
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