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Maior tombo do dólar em 13 anos
1 de julho de 2016O dólar fechou em queda pelo terceiro dia seguido, renovando mínimas em quase um ano e acumulando no mês de junho um recuo de mais de 11%, a maior desvalorização mensal em 13 anos. A moeda dos Estados Unidos terminou o dia em queda de 0,83%,vendida a R$ 3,213 – menor nível de fechamento desde 21 de julho de 2015. Entre os motivos para a forte queda do dólar frente ao real nos três últimos pregões estão as expectativas de que os bancos centrais adotarão medidas para minimizar os efeitos negativos da saída do Reino Unido da União Europeia, chamada de Brexit.
Além disso, a leitura do mercado é de que, pelo mesmo motivo, os juros americanos não subirão no curto prazo, o que favorece o Brasil, onde as taxas de juros são altas. O Banco Central sinalizou ainda que não deverá haver corte da taxa básica de juros (Selic) no curto prazo para combater a inflação. “O fato de o Banco Central não ter atuando no mercado de câmbio ultimamente empurrou ainda mais o dólar para baixo, uma vez que o mercado seguiu testando o BC, tentando achar um piso para o dólar”, comenta Cleber Alessie, operador de câmbio da corretora H.Commcor.
O presidente do BC, Ilan Goldfajn, reafirmou na terça-feira que o câmbio é flutuante, e que a autoridade monetária poderia reduzir sua exposição cambial “quando e se for possível”. No início da noite de ontem, o Banco Central anunciou que voltaria a realizar hoje leilões de swap cambial reverso, que correspondem à compra futura de dólares. Serão ofertados até 10.000 contratos, com vencimentos em setembro e outubro, no montante de até US$ 500 milhões. Com isso, a moeda norte-americana deve voltar a subir.
RECUPERAÇÃO
A forte valorização do real no semestre foi iniciada pela recuperação dos preços das commodities, em especial do petróleo, e com as apostas de investidores de que a presidente Dilma Rousseff seria afastada. Em maio, a moeda americana voltou a se valorizar frente ao real (+4,19%), em meio a um clima de cautela em relação ao novo governo. Naquele mês, os temores de alta dos juros americanos e do Brexit também influenciaram os mercados.
Em junho, porém, as expectativas de aumento dos juros nos EUA perderam força, depois de dados decepcionantes do mercado de trabalho norte-americano em maio, e o dólar voltou a perder força. O mercado também passou a apostar de que o Reino Unido não deixaria a União Europeia. A decepção com o resultado do plebiscito britânico, realizado no último dia 23, durou pouco. “Temos que lembrar que, no ano passado, o real foi uma das moedas que mais se desvalorizou”, destaca Alfredo Barbutti, economista da BGC Liquidez.
Em 2015, com o agravamento da crise econômica brasileira, o real perdeu 49,64% – somente no primeiro semestre do ano passado, caiu 17,38%. “O apetite pelo Brasil tem aumentado, já que tem muita liquidez no mundo e os juros praticados aqui são altos, o que é um atrativo”, acrescenta Barbutti. “Também há uma certa aposta de que o Brasil vai melhorar no médio prazo, caso o presidente Michel Temer deixe de ser interino”, comenta Cleber Alessie.
Fonte: Fonte: Diario de Pernambuco
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