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BC sinaliza redução de juros

29 de junho de 2016

Em sua primeira entrevista após a assumir a presidência do Banco Central, o economista Ilan Goldfajn afirmou ontem que o governo está criando as condições para que seja possível reduzir a taxa básica de juros. Goldfajn afirmou que as mudanças propostas pelo governo na economia, o que inclui medidas fiscais, podem contribuir para uma queda mais rápida da inflação. 

"Estamos criando condições para a redução da taxa de juros. Todos nós esperamos que as condições se apresentem para a flexibilização das condições monetárias", afirmou Ilan. "Tem um consenso de que tem de ter as condições necessárias e que temos de fazer de forma responsável", complementou. 

Sobre o compromisso do BC com a meta de inflação, Ilan afirmou que a instituição tem condições de colocar o IPCA em 4,5% no fim de 2017 e que não há necessidade de se ajustar essa meta. "Para deixar bem claro: a meta de 4,5% em 2017 é o nosso objetivo", afirmou. "Estamos com expectativa em torno da meta para 2017. Alguns analistas acreditam que pode ser um pouco acima disso. Mesmo nesse caso, a magnitude do desvio não justifica a necessidade de se adotar meta ajustada. 

No Relatório Trimestral de Inflação divulgado ontem, o BC projeta que, mantidos a taxa de juros nos atuais em 14,25% ao ano e o dólar a R$ 3,45, a inflação fica em 6,9% neste ano e em 4,7% no fim do próximo. Se a instituição, por outro lado, optar por cortar os juros neste ano, como espera parte do mercado financeiro, a inflação ficaria em 7% em 2016 e 5,5% no fim de 2017, segundo as projeções do BC. No documento, o banco afirma ainda que buscará deixar a inflação dentro do limite de 6,5% neste ano, mas avalia que há 70% de chances de estouro da meta neste ano. 

Ao comentar a diferença entre os 5,5% e a meta, Ilan disse acreditar que podem ser criadas as condições para a queda dessa projeção no futuro. "Estamos no início de ajustes na economia que, se encaminhados e aprovados, têm todo potencial de continuar reduzindo as incertezas na economia, com queda do risco Brasil e melhora na confiança", afirmou. O BC reduziu também sua projeção para a queda do PIB (Produto Interno Bruto) em 2016, de 3,5% para 3,3%. 

"Na medida em que a incerteza caia, o risco país diminua e a confiança volte, tenho convicção de que as projeções do BC tendem a cair. Nesse caso, o processo de desinflação em direção ao centro da meta ocorre mais rápido e com menos custo", comentou Ilan. 

Sobre o cenário externo, o presidente do BC afirmou que a iminente saída do Reino Unido do bloco político e econômico da União Europeia deve reduzir de alguma forma o crescimento global, o que pode influenciar o crescimento também do Brasil. 

"Acredito que os impactos de curto prazo (do Brexit) estão sendo contidos. Temos de observar os impactos de médio e longo prazo. Ainda não estão totalmente mapeadas as consequências para o futuro", ponderou. 

DÉFICIT 
O governo central União, Banco Central e Previdência Social registrou déficit de R$ 15,5 bilhões, ampliando o déficit registrado nos últimos 12 meses para R$ 145 bilhões, o pior desde o início da série histórica, em 1997. A conta foi influenciada pela piora do resultado da União, somada ao rombo da Previdência. A projeção do governo é que o rombo chegue a R$ 170 bilhões neste ano. 

O resultado do Tesouro Nacional quanto a União gasta a mais ou economiza apresentou déficit de R$ 3,1 bilhões em maio. No mesmo mês de 2015, o resultado ficou negativo em R$ 1,5 bilhão. 

O Banco Central também apresentou déficit de R$ 115,7 milhões, mas menor do que há um ano, quando em maio o buraco foi R$ 257,9 milhões. O rombo da Previdência alcançou R$ 12,2 bilhões. No mesmo período do ano anterior, o déficit foi de R$ 6,3 bilhões. A queda da arrecadação foi o principal fator de desequilíbrio das contas do governo central em maio deste ano, quando comparado com maio de 2015. No acumulado dos cinco primeiros meses do ano, em termos reais após descontar a inflação, as receitas do governo central diminuíram 6,1%, e as despesas cresceram 1,4%.

Fonte: Fonte: Jornal do Commercio

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