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União dividida

25 de junho de 2016

Os britânicos viveram uma sexta-feira que não tem como ser esquecida. A decisão de deixar a União Europeia (UE), tomada por 52% dos eleitores no referendo de quinta-feira, enterrou 43 anos de integração com o bloco europeu, iniciando uma era de incerteza e turbulência política sem precedentes no Reino Unido. Em clima de incredulidade, o mundo viu o premier David Cameron renunciar, humilhado pela derrota para o Brexit (saída britânica). 

A corrida pela sucessão no Partido Conservador já começou, mas o escolhido só será apontado em outubro. Até lá, não há consenso sobre como será negociado o fim do casamento com a UE. Enquanto Cameron afirmou que o processo não seria imediato, líderes europeus exigiram uma saída rápida. 

A votação dramática, que muda a História do Reino Unido, também sacudiu a oposição, encabeçada pelos trabalhistas. O líder Jeremy Corbyn, defensor da permanência na UE, foi alvo de uma moção de não confiança apresentada por colegas de legenda, que pode ir à votação já na segunda-¬feira. Por outro lado, dois políticos reforçaram a sua ascensão: Boris Johnson, ex-¬prefeito de Londres e favorito à sucessão de Cameron, e Nigel Farage, do Partido pela Independência do Reino Unido (Ukip), grandes vencedores da campanha pelo Leave (Sair). O terremoto do Brexit teve impacto na Escócia, cujo governo prometeu voltar a lutar pela independência, e sacudiu os mercados globais. Mas a maior incógnita é como ficam as relações com a UE. 

Os líderes dos outros 27 países que compõem o bloco europeu se reúnem a partir de terça¬-feira, em Bruxelas, para discutir o que o presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, classificou como "processo de divórcio". Cameron participará apenas de um jantar, mas no dia seguinte volta a Londres, enquanto os dirigentes debaterão as implicações do Brexit. 

O processo pode ser desastroso para a integração europeia, refletindo um nacionalismo crescente no continente e trazendo graves riscos para a economia britânica, que pode ficar sem acesso ao mercado único europeu. A contagem dos votos do referendo surpreendeu inclusive quem defendia o Brexit, já que até o início da madrugada de quinta¬-feira as pesquisas previam uma vitória do Remain (permanecer). O campo pró¬UE, no entanto, acabou levando 48% dos votos. O resultado, confirmado às 5h, deixou Londres em estado de choque. A capital votou majoritariamente (60%) contra o Brexit, mas quando os moradores começaram a acordar, Farage já estava na TV sendo aplaudido por seus partidários de extrema ¬direita. 

"Ouso sonhar com o amanhecer de um Reino Unido Independente", disse o político, principal responsável pelo discurso anti-imigração que ajudou a dar a vitória ao Brexit. 

As reações vieram em cadeia, com a libra esterlina despencando a níveis recordes. Para garantir a liquidez no mercado, o presidente do Banco da Inglaterra, Mark Carney, anunciou que a instituição estava pronta para injetar 250 bilhões de libras na economia. Já Johnson, que nunca escondeu a ambição de substituir Cameron, fez um discurso conciliador, definindo o premier como "um dos mais extraordinários políticos de sua geração". A imprensa já o trata como favorito à disputa no Partido Conservador. "Prepare-¬se para a era de Boris", avisava o Daily Telegraph em seu site. "Gostaria de dizer como estou triste pela renúncia de David (Cameron)", afirmou ele. "Diante da vitória do Leave, é preciso enfatizar que não há pressa. Como afirmou o primeiro-ministro, nada vai mudar a curto prazo, a não ser o início dos trabalhos para atender ao desejo do povo e remover o país desse sistema supranacional. 

A declaração dos vencedores foi uma tentativa de evitar uma catastrófica reação econômica, mas sabe-¬se que não haverá saída fácil para o drama no Reino Unido.

Fonte: Fonte: Jornal do Commercio

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