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Indústria local sofre baque

17 de março de 2016

A crise se acentuou na indústria pernambucana. O ano começou com queda de 29,4% em janeiro, na comparação com igual mês de 2015. Foi a maior taxa em sete anos da série histórica e 11ª negativa consecutiva. Na Pesquisa Industrial Mensal da Produção Física, divulgada ontem pela Federação das Indústrias de Pernambuco (Fiepe), onze dos doze setores investigados apresentaram queda. As maiores taxas negativas vieram da indústria naval e dos setores de alimentos e bebidas.

A crise na construção naval atinge toda a cadeia produtiva de equipamentos de transporte, com impacto maior na indústria metalúrgica. No Estado várias empresas fecharam e outras estão em processo de recuperação industrial. Os estaleiros estão perdendo encomendas e demitindo boa parte do quadro de funcionários. Pelas contas do Sindicato dos Trabalhadores Metalúrgicos de Pernambuco (Sindimetal-PE), mais de 3 mil operários foram desligados dos estaleiros Atlântico Sul e Vard Promar. Na comparação com janeiro de 2015, a produção naval despencou 57,7%.

A tentativa da Transpetro de cancelar 11 navios do EAS e dois do Promar podem agravar a situação do setor este ano. No Atlântico Sul, a saída do grupo japonês IHI Corporation da sociedade com a Camargo Corrêa e a Queiroz Galvão no empreendimento, também sinaliza perspectivas nebulosas para a atividade.

Embora a queda na indústria naval seja a mais alta entre os setores pesquisados, o mais preocupante é o encolhimento do setor de alimentos (42,8%), que tem um peso importante (28,1%) na indústria de transformação. Houve diminuição na produção de açúcar, margarina e biscoito. Em seguida aparece o setor de bebidas, com queda de 32% na produção no período analisado. O desempenho negativo dos dois setores reflete a queda no consumo e o aumento da inflação, que corroeu a renda do brasileiro e do pernambucano.

BRASIL

A queda na produção industrial de Pernambuco está acima da nacional. Na comparação de janeiro de 2016 com o mesmo período deste ano, houve uma redução de 13,8%. Foi a vigésima terceira taxa negativa consecutiva nesse tipo de comparação e a mais elevada desde abril de 2009 (-14,1%).

A taxa acumulada dos últimos doze meses (9%) assinalou a perda mais intensa desde novembro de 2009 (-9,4%) e manteve a trajetória descendente iniciada em março de 2014 (2,1%). O acréscimo de 0,4% da atividade industrial na passagem de dezembro de 2015 para janeiro de 2016 mostrou taxas positivas em três das quatro grandes categorias econômicas e em 15 dos 24 ramos pesquisados. Entre os setores, a principal influência positiva foi registrada por coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis, que avançou 2,8%, outras contribuições positivas vieram de máquinas, aparelhos e materiais elétricos (6,1%), de bebidas (3,8%) e de máquinas e equipamentos (3,1%).

Fonte: Jornal do Commercio

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