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Juros sobem e afetam a região

23 de janeiro de 2016
A Federação das Indústrias de Pernambuco (Fiepe) iniciou ontem uma campanha para reverter a decisão do Conselho Monetário Nacional (CMN) de aumentar a taxa de juros dos fundos constitucionais, que inclui o Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste (FNE). O problema é que o aumento da taxa foi de 71,4%, passando de 8,2% para 14,1%. A elevação foi considerada pelas federações industriais da região um ataque ao desenvolvimento do Nordeste, uma medida que caminha na contramão de qualquer política de promoção de equilíbrios regionais. Plantas industriais consolidadas no estado, como o Polo Automotivo Jeep, em Goiana, e a fábrica de Nissin, em Glória do Goitá, utilizaram empréstimos do FNE e terão uma pedra no caminho caso pensem em buscar novo financiamento para ampliar os projetos.

O CMN é o órgão máximo do Sistema Financeiro Nacional e tem a responsabilidade de formular a política monetária e do crédito, para que o país desenvolva com moeda estável. A alta patente do CMN é a mesma que tenta equilibrar as contas do governo federal: os ministros da Fazenda e do Planejamento, respectivamente Nelson Barbosa e Valdir Simão, além do presidente do Banco Central, Alexandre Tombini. 

O presidente em exercício da Fiepe, Ricardo Essinger, reforça que a medida é o oposto de qualquer possibilidade de desenvolver, gerar emprego e refletir na renda da população. “A taxa de juros de financiamento de produção não deve ser vista como a taxa de juros de mercado, que vem sendo usada para controlar a inflação de consumo. Os fundos constitucionais precisam de juros mais baixos para que as indústrias aumentem a produção e elevem a oferta. É isso que puxa o preço para baixo. E no momento em que a produção está em queda, vem outra surpresa para piorar a situação. Isso é péssimo”, argumenta.

Ainda segundo o presidente, o único sentido do fundo se perdeu. “O FNE foi criado criado em 1989 para garantir condições mais favoráveis para financiar investimentos produtivos no Nordeste (BNB) e minimizar as desigualdades regionais. O Banco do Nordeste entrou no processo e é estratégico. Sem isso, o que pode acontecer é o enfraquecimento do próprio BNB, que vai continuar existindo, mas sem poder de fazer política regional”, ressaltou. 

Um memorial foi publicado ontem nos veículos de comunicação para chamar a atenção sobre o tema e é o início de um pleito para que a taxa retorne a um patamar palatável. “Políticos precisam tomar conhecimento e devem integrar esse protesto das federações dos estados. É uma questão geral e exige maior,  engajamento”, afirmou Essinger, citando que o alerta foi dado há meses e que ficou claro recentemente quando a arrecadação do Brasil fechou 5% menor em 2015 no comparativo com 2014. “Isso é resultado da queda da produção. Com essa taxa de juros nova, vai cair ainda mais”, disse.  Por meio da assessoria de imprensa, o Banco do Nordeste afirmou que “a decisão sobre taxas de juros cabe ao Conselho Monetário Nacional” e o Banco Central, que responde pelo CMN, não comentou o assunto.

Fonte: Diario de Pernambuco

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