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Leão está no ritmo da folia

19 de janeiro de 2016

No carnaval, brasileiro esquece de tudo e é só festa. Mas os governos estão de olho e “atacam” o consumo nos itens da folia. De acordo com levantamento do Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT), as últimas mudanças que provocaram aumento de carga tributária em todas as esferas do governo fizeram a carga chegar a quase 80% do valor de alguns produtos. A carga média é de mais de 40% e vai de alimentos, passando por fantasias e bebidas. A caipirinha, por exemplo, tem 76,66% do seu preço em tributos. Já a fantasia de carnaval reúne 36,41% de impostos no valor de venda. A dica é escolher produtos de melhor qualidade com o menor preço para minimizar a pancada.

O presidente do IBPT, João Eloi Olenike, reforça a máxima da lógica tributária no Brasil para explicar a incidência nos produtos comercializados por aqui. “Quanto maior a essencialidade do produto, menor é a tributação que incide sobre ele. Ou deveria ser assim”, explica. “As bebidas alcoólicas geralmente são bastante tributadas e com os aumentos recentes do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) e de ICMS (Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços) vão atingir diretamente o primeiro evento do ano de alto consumo, que é o carnaval”, pontua.

Quem pretende sair às ruas fantasiado pode preparar o bolso. Além da fantasia de tecido, a máscara de plástico tem quase 44% de carga tributária, quase a mesma de máscaras com lantejoulas. Se a ideia é sair com um colar havaiano, quase metade do preço do produto é de tributos. Como ninguém é de ferro, a bebida alcoólica entra na conta do carnaval. Os números impressionam. O chope tem 62% de tributação no preço. Cerveja de garrafa ou de lata tem 55,60%.

Ainda de acordo com o presidente, todas as esferas do governo querem cobrar do contribuinte para cobrir um ônus da ineficiência estatal e os itens de carnaval são um momento de vulnerabilidade do cidadão. “No carnaval, parece que o país não tem problemas. Tudo fica perfeito quando se está em festa. E nem se percebe que tudo que se desembolsa na festa tem uma carga tributária pesada que deveria custear os serviços de saúde, educação, infraestrutura, entre outros. Quando a festa acaba, aí todo mundo lembra que nada funciona de verdade. Assim fica fácil governar”, descreve.

A transparência tributária é lei desde 2012 no Brasil. Consumidores, que são responsáveis por 70% de tudo que entra nos cofres públicos do Brasil, podem verificar quanto pagam em tributos. A Lei 12.741/2012 obriga empresas que têm relação direta com o consumidor final a apresentar, na nota fiscal, quanto do valor pago é destinado ao pagamento de tributos. “O produto é uma soma de todos os impostos, taxas e contribuições embutidos por toda a cadeia da economia até chegar à prateleira. E quem arca é o consumidor final”, ressalta.

Fonte: Diario de Pernambuco

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