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Dilma quer mudar a aposentadoria
8 de janeiro de 2016BRASÍLIA – Em sua primeira entrevista do ano, a presidente Dilma defendeu a reforma da Previdência, com elevação da idade para a aposentadoria no País, classificou como essencial o ajuste fiscal e disse que vai lutar com unhas e dentes para que 2016 seja melhor do que 2015.
Durante um café da manhã com jornalistas ontem, a presidente argumentou que o aumento da expectativa de vida justifica as mudanças na Previdência e que não é possível que a idade média de aposentadoria no Brasil seja de 55 anos. Dilma ponderou, no entanto, que a reforma não poderá mexer com direitos adquiridos e que terá de passar por um período de transição.
Segundo ela, a mudança pode ser feita pela fixação de uma idade mínima para aposentadoria ou de um instrumento que misture idade com tempo de contribuição.
Parte das mudanças defendidas por Dilma só pode vigorar se o Congresso alterar a Constituição. Para isso, são necessários os votos de 308 dos 513 deputados e 49 dos 81 senadores. Questionada sobre a dificuldade de avançar com a reforma da Previdência em ano eleitoral e num momento em que se discute seu impeachment, Dilma afirmou que este é um problema real que precisa ser enfrentado e que, para isto, vai negociá-lo com trabalhadores, empresários, Congresso e até com a oposição. As principais resistências ao tema estão, porém, no seu próprio partido, o PT, e em movimentos sociais.
Durante toda a entrevista, a petista repetiu que o reequilíbrio das contas públicas segue como prioridade, buscando afastar a ideia de que vai abandonar o ajuste fiscal após a troca de Joaquim Levy por Nelson Barbosa. Ela acrescentou que vai fazer de tudo para perseguir o superávit primário de 0,5% do PIB. Sobre a inflação, que no ano passado ficou acima de dois dígitos, prometeu trabalhar para que, ainda este ano, o índice fique no teto da meta, que é de 6,5%.
A presidente traçou três ações para atingir este objetivo. Reequilíbrio fiscal, aprovação de medidas tributárias no Congresso, como a recriação da CPMF, e estímulo a investimentos em infraestrutura.
O PT quer mudanças na política econômica para tentar reverter o cenário de desaceleração e pede a redução dos juros e ampliação do crédito, acompanhado de uma guinada à esquerda de Dilma. A presidente, no entanto, disse não ter recebido nenhum pedido do gênero. Dilma afirmou ainda que o maior de seus erros foi não ter percebido a desaceleração da economia que estava ocorrendo no final de 2014.
REPERCUSSÃO
Guilherme Boulos, coordenador do Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST), disse ontem que seria uma medida desastrosa e covarde tentar reformar a Previdência. "Gostaria de ver se Dilma teria coragem de ?encarar? uma reforma tributária."
Líder do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST), João Pedro Stédile avisou que haverá mobilização se forem retirados benefícios dos trabalhadores. "Os movimentos sociais do campo não aceitam criação da idade mínima para a aposentadoria."
Para o diretor da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Quintino Severno, a ideia prejudica a já difícil relação com Dilma. "Nós é que diremos ?nem que a vaca tussa?".
Fonte: Jornal do Commercio
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