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Crise joga duro com as conquistas do trabalhador
31 de agosto de 2015As negociações salariais do segundo semestre prometem endurecer o jogo para o lado do trabalhador. O cenário é desalentador. O desemprego e a inflação se aproximam de dois dígitos, a renda encolhe e a economia brasileira tem crescimento negativo de 1,9% no terceiro trimestre. O sinal de alerta é o saldo dos reajustes obtidos nos últimos seis meses. O resultado é o pior registrado pelo Dieese desde a crise econômica de 2008. O arrocho salarial atingiu os empregados de todos os setores econômicos, com perdas reais em 15% nas convenções coletivas, cujos aumentos ficaram 2% abaixo da inflação de 8,76% pelo INPC. Os trabalhadores terão que ralar para manter o poder de compra e assegurar conquistas dos últimos dissídios.
A prova de fogo começa em setembro com as campanhas salariais que envolvem categorias com força de pressão, entre eles, metalúrgicos, bancários e cananavieiros. A crise e a recessão da economia brasileira não amedontram os sindicatos. Os bancários pedem 16% de reajuste, piso salarial de R$ 3.299,66 (hoje o piso é de R$ 1.796,45), participação nos lucros dos bancos, fim das terceirizações e manutenção do emprego.
“A crise não chegou nos bancos. Nossos patrões, tanto dos bancos privados quanto públicos, estão bem de bolso e lucrando”, aponta Suzineide Rodrigues, presidente do Sindicato dos Bancários de Pernambuco. São 15 mil bancários no estado.
Os metalúrgicos estão em plena negociação e experimentam o gosto amargo da crise. Além das demissões, as propostas dos patrões são de redução de direitos, entre elas, o da multa rescisória de 1 salário mínimo para meio, a diminuição da estabilidade pré-aposentadoria e o aumento do desconto do vale-transporte de 2% para 6%.
A categoria pede 16% de reajuste. A proposta patronal é de 15% de aumento parcelado em duas vezes. “Não aceitamos perdas. Queremos assegurar os direitos e ampliar as nossas conquistas”, rebate Henrique Gomes, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Pernambuco.
Os canavieiros já aprovaram a pauta da campanha salarial deste ano: elevação do salário para R$ 950. São 70 mil trabalhadores, liderados por 53 sindicatos rurais. Segundo Doriel Barros, presidente da Federação de Trabalhadores na Agricultura de Pernambuco (Fetape), foi incluído na pauta um item emblemático: refeitório ou vale-alimentação. “Chegou a hora de ter alimentaçao no local de trabalho e deixar de ser boia-fria”.
Saiba mais
Aumento médio real dos salários (em %)
Ano Brasil Nordeste
2008 0,82 0,84
2009 0,79 1,05
2010 1,52 1,95
2011 1,24 1,25
2012 2,14 2,47
2013 1,10 1,33
2014 1,46 1,40
2015 0,51 0,72
Fonte: Balanço dos reajustes salariais/Dieese
Fonte: Diario de Pernambuco
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