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Crise econômica passa distante do Legislativo

27 de julho de 2015

O fantasma da crise econômica passa longe da Câmara dos Deputados. Tanto que, em apenas cinco meses, os 25 deputados federais de Pernambuco gastaram, juntos, R$ 3,6 milhões da cota parlamentar, recurso a que todos têm direito e serve para custear despesas como aluguel de carros e escritórios políticos, passagens aéreas, entre outros. Estreante na Câmara, o petebista Adalberto Cavalcanti é o primeiro no ranking dos que mais gastaram e também dos que somaram maior número de faltas nesse primeiro semestre. Ao todo, ele gastou R$ 202,7 mil, mesmo tendo se afastado do mandato por quase dois meses (de 26 de fevereiro a 21 de maio) para tratamento de saúde. 
Ao analisar a prestação de contas do parlamentar, é possível perceber que, mesmo ausente dos trabalhos na Câmara, as despesas com combustível e locação de automóveis não diminuíram. Nos meses de março, abril e maio foram gastos o mesmo valor (R$ 4,5 mil) com o abastecimento de veículos. O mesmo acontece com o aluguel de carros (o parlamentar pagou R$ 9,9 mil mensais no período em que não deu expediente na Câmara Federal).  
As notas fiscais apresentadas para justificar as despesas também chamam atenção. Isso porque, no caso dos gastos com combustível, foi apresentada apenas uma nota fiscal por mês, cada uma no valor de R$ 4,5 mil (o limite com esse tipo de gasto é de R$ 4,9 mil mensais). Todas elas foram emitidas pelo mesmo posto, localizado na cidade de Petrolina, no Sertão (reduto eleitoral do petebista). 
Conforme mostram as notas (veja abaixo), foram consumidos, em média, 1,448 mil litros de combustível por mês (gasolina e diesel). Seria possível percorrer mensalmente uma distância de 14.480km, o equivalente a três vezes a distância do Recife para a cidade de Buenos Aires, capital da Argentina (4.702 km). 
A cota destinada aos deputados pernambucanos é de R$ 41.304,94 por mês (há uma variação no valor conforme o estado de origem dos parlamentares). Três dos quatro representantes do PTB na Câmara Federal são os que mais fizeram uso dos recursos, conforme levantamento do Diario. No ranking, depois de Adalberto Cavalcanti, estão os deputados Ricardo Teobaldo (R$ 196,8 mil) e Zeca Cavalcanti (R$ 195,8 mil). No caso deles, os maiores gastos foram com locação de veículos, consultorias e divulgação da atividade parlamentar. 
Procurado pelo Diario, o deputado Adalberto Cavalcanti revelou que o alto valor gasto com combustível, mesmo nos meses em que esteve afastado, deve-se ao fato de ele manter vários veículos à disposição da população de Petrolina. “Meu atendimento é a todo vapor. Eu tenho duas unidades móveis, uma ambulância, um trio elétrico, um ônibus, dois caminhões (um do tipo 'pipa' e outro de mudanças), seis carros de som e uma picape”, detalhou o petebista, acrescpol-2607-b4-notaentando que todos os veículos estão em seu nome. 
De acordo com ele, os veículos são utilizados para diversas finalidades, como transporte da população para hospitais, cultos, bingos, entre outros. Alguns, como no caso do trio elétrico e dos carros de som, são utilizados para festividades, a exemplo das vaquejadas. Outros ainda transportam médicos para fazer o atendimento em bairros da cidade. Com relação à ausência das placas nas notas fiscais, o parlamentar disse que a Câmara dos Deputados não exige a identificação dos veículos. “Isso não é assistencialismo, não. Faço esse tipo de atendimento há seis anos”, disse. Sobre a locação de veículos, ele destacou que mantém um carro à sua disposição em Brasília e outro em Petrolina. “No período em que eu estava afastado, fui algumas vezes à capital federal e precisei utilizar o veículo”.
Por meio da assessoria de imprensa, o deputado Zeca Cavalcanti afirmou que, por ser sua primeira passagem na Câmara, está “reestruturando o seu mandato para atender a todo o estado”. O deputado Ricardo Teobaldo, por sua vez, destacou que “todos os gastos, como suas destinações, estão dentro dos limites impostos pela Câmara Federal”.

Fonte: Diario de Pernambuco

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