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O lado perverso da crise econômica
28 de maio de 2015Corte de empregos e arrocho nos salários. O mercado de trabalho confirmou a desaceleração de economia nas áreas metropolitanas em abril. A taxa de desemprego atingiu o patamar de 13,3%, o maior do ano. A crise bateu forte na atividade econômica com a eliminação de 27 mil postos de trabalho na Região Metropolitana de Recife (RMR). O contingente de desempregados foi estimado em 246 mil pessoas pela Pesquisa de Emprego e Desemprego do Dieese, em parceria com a Agência Condepe-Fidem. A renda média dos assalariados encolheu 3,8% entre fevereiro e março, passando de R$ 1.315 para R$ 1.265.
Em abril, o setor de serviços cortou 18 mil ocupações, puxado pelos segmentos de alojamentos e alimentação (-16 mil postos) e informação e comunicação (-7 mil postos). No desempenho anual (abril de 2014 a abril de 2015), o comércio liderou o desemprego com a dispensa de 29 mil trabalhadores. Sinal de desquecimento das vendas e do alto endividamento do consumidor. Nem mesmo a Pácoa e o Dia das Mães estimularam as compras. Para o técnico do Dieese e coordenador geral da pesquisa, Jairo Santiago, as demissões no comércio podem ser reflexo, também, dos desligamentos dos temporários do final do ano.
A diminuição dos salários do trabalhador foi registrada em todas as áreas metropolitanas. No Recife, todas as categorias profissionais tiveram perda salarial. Os empregados da indústria de transformação registraram a perda maior de 13% nos rendimentos, passando de R$ 1.482 para R$ 1.290 entre fevereiro e março. Os trabalhadores com carteira assinada reduziram 4,1% os salários e o poder de compra.
Jairo Santiago avalia que a perda de rendimento pode ser explicada porque os dissídios coletivos da maioria das categorias se concentra no segundo semestre na RMR. Ao mesmo tempo, ele concorda que a inflação e a alta dos juros corroem os salários dos trabalhadores. Segundo ele, o quadro de retração do emprego e dos salários é generalizado nas sete regiões metropolitanas onde a pesquisa é executada. A expectativa é que a taxa permaneça neste patamar e feche 2015 no mesmo nível de 2014.
Fonte: Diario de Pernambuco
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