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Professor terá ponto cortado

14 de abril de 2015

Os professores estaduais que fizerem greve terão os dias descontados dos salários. Portaria sobre o assunto será publicada na edição de hoje do Diário Oficial. Os docentes temporários poderão ter os contratos rescindidos. Já os servidores lotados nas escolas de referência serão substituídos e transferidos para outras escolas. A paralisação dos docentes começou ontem. Estão matriculados na rede estadual de ensino cerca de 650 mil alunos.

A adesão foi de 70% dos docentes no primeiro dia de greve, segundo o Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Pernambuco (Sintepe). O Estado diz que em apenas 22% das escolas (232 unidades) não houve aulas no turno da manhã. Em 55% dos colégios (574) houve atividades normais pela manhã, conforme a secretaria, e em 23% (239) o funcionamento foi parcial.

A principal reivindicação da categoria é o reajuste de 13,01% para todos os professores, como prevê a lei federal do piso do magistério. Mas uma lei estadual aprovada no último dia 31 concedeu esse percentual apenas para quem tem nível médio (antigo magistério) e para 0,89% dos docentes com nível superior e menos de dez anos de serviço na rede. Segundo o sindicato, ficam sem aumento 45.750 profissionais.

"Essa medida do governo (descontar os salários) não vai intimidar a categoria. A greve continua", assegurou o presidente do Sintepe, Fernando Melo. A entidade pediu que a Comissão de Educação da Assembleia Legislativa intermedie uma negociação com o governo estadual. "Solicitamos aos deputados que tentem uma articulação com o Estado para que seja retomada a negociação. A deputada Teresa Leitão, que preside a comissão, comprometeu-se a discutir o assunto na reunião de quarta-feira", ressaltou Fernando Melo.

Em nota, o governo de Pernambuco afirmou que "a retomada da negociação só será realizada caso haja a suspensão da greve e, consequentemente, retorno ao trabalho". E destacou que "interromper as atividades escolares é uma medida que traz prejuízos principalmente para os alunos, familiares e aos próprios profissionais".

ADESÃO

Ontem, na Escola Sigismundo Gonçalves, no bairro do Carmo, em Olinda, no Grande Recife, os 19 mestres decidiram aderir à paralisação. Lá estudam 563 alunos. "Temos uma pauta de reivindicações. Lutamos por melhores salários, com reajuste para todos, além de melhores condições de trabalho", afirmou a professora Marta Cavalcanti.

Na Escola Guedes Alcoforado, no Varadouro, também em Olinda, o mesmo cenário: salas e corredores vazios. Segundo o gestor da unidade, Fernando Augustus, os 50 docentes paralisaram as atividades. O colégio tem 1.200 alunos. "Não sabia da greve, tinha prova de português. A gente se prejudica, mas os professores têm direito de ganhar melhor", comentou Rômulo Praxedes, 15 anos, aluno da 8ª série do Programa Travessia.

A rotina de aulas não foi alterada na Escola de Referência em Ensino Médio Paula Frassinetti, no Espinheiro, Zona Norte do Recife. Em conjunto, os 15 mestres resolveram não aderir à greve. Na Escola Dom Bosco, em Casa Amarela, não houve aula, mas os 1.600 alunos tiveram duas provas, aplicadas pelos docentes.

Fonte: Jornal do Commercio

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