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Dólar bate recorde de 10 anos

5 de março de 2015

A instabilidade política gerou pressão sobre os mercados domésticos e elevou o valor do dólar mais um pouco ontem, renovando os maiores preços em mais de dez anos. Em momentos de turbulência, o investidor recorre à segurança da moeda americana que, muito procurada, se valoriza ante a moeda local. Como o Brasil enfrenta uma crise, o dólar vem subindo mais a cada dia. O efeito perverso é que a alta do dólar aumenta a inflação. Para conter a inflação, o governo eleva os juros, o que trava o crescimento econômico. Eis o dilema econômico do Brasil.

O governo evita falar em crise depois que o presidente do Senado, Renan Calheiros, devolveu a MP 669, que reduz o benefício fiscal da desoneração da folha de pagamentos. Mas o mercado não comprou essa versão e tratou de se proteger adquirindo dólar, que superou 2% de alta a maior parte da sessão. A trajetória de ascensão da moeda no exterior corroborou esse movimento.

O dólar à vista terminou o dia em alta de 2,06%, a R$ 2,9790, maior preço desde 19/8/2004 (R$ 2,9880). Na mínima, marcou R$ 2,9520 (+1,13%) e, na máxima, R$ 2,9990 (+2,74%). Nestes três dias úteis de março, já acumula valorização de 4,31% e, em 2015, sobe 12,20%. No mercado futuro, às 16h33, o dólar para abril tinha valorização de 1,64%, a R$ 3,0045.

Na tarde de ontem, o ministro da Secretaria de Relações Institucionais (SRI) da Presidência da República, Pepe Vargas, minimizou qualquer possibilidade de crise entre governo e Congresso. Segundo ele, o governo não tem intenções de ver o Congresso fragilizado. "Muito antes pelo contrário. Quem está em um governo, o que mais quer é estabilidade. Instituições democráticas estáveis são o objetivo de qualquer governo. E obviamente que o nosso governo tem o maior interesse possível de que a Câmara e o Senado tenham estabilidade política. Não temos interesse algum na fragilização da Câmara e do Senado", comentou o ministro depois de participar de duas reuniões no Palácio do Planalto com os líderes da base aliada na Câmara e no Senado.

O noticiário político dominou os negócios nos mercados e fez com que os juros deixassem de lado o resultado da produção industrial de janeiro, operando em alta durante toda a sessão. Segundo o IBGE, a produção industrial subiu 2,0% em janeiro ante dezembro, na série com ajuste sazonal. Em relação a janeiro de 2014, a produção da indústria brasileira caiu 5,2%.

Em 12 meses até janeiro, a produção industrial nacional acumula queda de 3,5%. A valorização do dólar também contribuiu para pressionar as taxas, em dia de expectativa pelo resultado do encontro do Copom.

Fonte: Jornal do Commercio

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